Golpe da "amiga da onça" contra servidora durou 3 anos e teve carrão.
A suspeita, colega de trabalho da vítima, inventou que ambas eram vítimas de agiotas e a convenceu a fazer transferências durante três anos

A servidora da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso vítima de suposto esquema de extorsão que teria durado três anos, arquitetado por uma colega de trabalho, chegou a recorrer a empréstimos e saques em cartões de crédito, além de ter sido convencida a financiar, em seu nome, uma caminhonete para os criminosos.
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As investigações apontam que, entre 2022 e 2025, a servidora foi submetida a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica pela colega de trabalho, que teria criado narrativa envolvendo supostas dívidas com agiotas e ameaças contra a vítima e seus familiares. Segundo a Polícia Civil, o esquema causou prejuízo superior a R$ 1,1 milhão à servidora pública estadual envolvida na suposta extorsão.
A série de crimes só foi interrompida quando o marido da vítima percebeu o abalo emocional da mulher, descobriu o que estava acontecendo e impediu que ela continuasse mantendo contato com a suspeita. Em seguida, denunciou o caso à Polícia Civil.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroO plano
Para ter acesso ao dinheiro da servidora, a colega de trabalho teria inventado que ambas estavam sendo ameaçadas por agiotas em razão de suposta dívida atribuída a outro servidor público.
A investigada afirmava que os criminosos sabiam quem elas eram e poderiam atacar seus familiares caso os pagamentos não fossem feitos. Ao mesmo tempo, dizia ser vítima da situação e alegava que poderia negociar a dívida e protegê-la.
Temendo pelas ameaças, a servidora passou a transferir dinheiro para a colega. As cobranças se estenderam entre 2022 e 2025, sempre acompanhadas de novas intimidações e da alegação de que a suposta dívida e os juros continuavam aumentando.
A investigação apurou que a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da colega de trabalho. O valor foi confirmado após a quebra do sigilo bancário autorizada pela Justiça e por meio de análise financeira realizada por peritos da Polícia Civil.
O rastreamento financeiro apontou que parte dos recursos foi posteriormente transferida para outras pessoas ligadas ao núcleo investigado. O papel de cada membro do esquema não foi divulgado.
A operação
Batizada de Laço Oculto, a operação cumpre 14 medidas judiciais. Ao todo, são cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um mandado de busca e apreensão de veículo, cinco mandados de sequestro de bens e três ordens de bloqueio de ativos financeiros. As medidas de bloqueio, direcionadas a três investigados, podem alcançar R$ 3,3 milhões.
As diligências, conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, são realizadas em endereços de Cuiabá e Várzea Grande.
Embora não tenha envolvimento direto com o caso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) colaborou com as investigações. A Corregedoria da Polícia Militar também participa do cumprimento das ordens judiciais nesta terça-feira (21/7).













