Servidora leva golpe de “amiga da onça” e perde R$ 1 milhão.
A vítima, servidora da Secretaria de Saúde, teria sido coagida por colega a fazer pagamentos após falsas ameaças envolvendo agiotas

Servidores vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (SES) e um policial militar do Mato Grosso foram alvo de operação deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (21/7). Segundo as investigações, o grupo integraria esquema de extorsão que causou prejuízo superior a R$ 1,1 milhão a uma servidora pública estadual.
A apuração aponta que a servidora teria sido vítima de estelionato entre 2022 e 2025. Nesse período, ela teria sido submetida a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica por colega de trabalho, que teria criado narrativa envolvendo supostas dívidas com agiotas e ameaças contra a vítima e seus familiares.
Com medo, a vítima teria recorrido a empréstimos, saques em cartões de crédito, resgate de recursos da previdência privada e até utilizado valores destinados à construção da própria casa. Ela também teria sido convencida a financiar, em seu nome, uma caminhonete que teria sido usada, posteriormente, por uma pessoa ligada à principal investigada.
O esquema só foi interrompido quando o marido da vítima percebeu o abalo emocional da mulher, descobriu o que estava acontecendo e impediu que ela continuasse mantendo contato com a suspeita. Em seguida, denunciou o caso à Polícia Civil.
O plano
Para ter acesso ao dinheiro da servidora, a colega de trabalho teria inventado que ambas estavam sendo ameaçadas por agiotas em razão de suposta dívida atribuída a outro servidor público.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroA investigada afirmava que os criminosos sabiam quem elas eram e poderiam atacar seus familiares caso os pagamentos não fossem feitos. Ao mesmo tempo, dizia ser vítima da situação e alegava que poderia negociar a dívida e protegê-la.
Temendo pelas ameaças, a servidora passou a transferir dinheiro para a colega. As cobranças se estenderam entre 2022 e 2025, sempre acompanhadas de novas intimidações e da alegação de que a suposta dívida e os juros continuavam aumentando.
A investigação apurou que a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da colega de trabalho. O valor foi confirmado após a quebra do sigilo bancário autorizada pela Justiça e por meio de análise financeira realizada por peritos da Polícia Civil.
O rastreamento financeiro apontou que parte dos recursos foi posteriormente transferida para outras pessoas ligadas ao núcleo investigado. O papel de cada membro do esquema não foi divulgado.
Os policiais também identificaram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos, contas com intensa movimentação financeira, milhares de saques em espécie e indícios de utilização de “laranjas” para ocultar e movimentar o patrimônio.
A operação
Batizada de Laço Oculto, a operação cumpre 14 medidas judiciais. Ao todo, são cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um mandado de busca e apreensão de veículo, cinco mandados de sequestro de bens e três ordens de bloqueio de ativos financeiros. As medidas de bloqueio, direcionadas a três investigados, podem alcançar R$ 3,3 milhões.
As diligências, conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, são realizadas em endereços de Cuiabá e Várzea Grande.
Embora não tenha envolvimento direto com o caso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) colaborou com as investigações. A Corregedoria da Polícia Militar também participa do cumprimento das ordens judiciais nesta terça-feira (21/7).













