
Mirelle PinheiroColunas

Generais temiam que radicais fizessem Bolsonaro assinar uma “doidera”
Grupo de apoiadores temia que ex-presidente assinasse o decreto que serviria como base legal para golpe de Estado
atualizado
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O ex-ajudante de ordens Mauro Cid, em depoimento à Polícia Federal (PF), revelou que generais apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro temiam que grupos “radicas” fizessem com que ele assinasse uma “doidera”, como um golpe de Estado. Segundo Cid, o esquema de apoiadores envolvia três grupos distintos que influenciavam as decisões do ex-presidente.
O primeiro grupo era conhecido como conservador. Segundo Cid, os membros aconselhavam o ex-presidente a “mandar o povo para casa e se colocar como um grande líder da oposição”, fazendo referência aos indivíduos que estavam acampados na frente dos quartéis.
Entre os integrantes que pertenciam ao grupo, estavam:
- Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e senador (PL-RJ)
- Bruno Bianco, então advogado-geral da União
- Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil
- Brigadeiro Batista Junior, comandante da Aeronáutica
O segundo grupo, descrito por Cid como moderado, não concordava com os rumos do país e entendiam que nada poderia ser feito diante do resultado das eleições.
No entanto, era subdividido em dois outros grupos, um deles com maior predileção do ex-presidente, composto por generais da ativa.
- General Freire Gomes, comandante do Exército Brasileiro
- General Arruda, chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC)
- General Teóphilo, Chefe do Comando de Operações Terrestres (COTER)
- General Paulo Sérgio, então ministro da Defesa
O ex-presidente foi aconselhado pela outra subdivisão dos conservadores a deixar o país. Cid indicou que estavam nesse grupo os seguintes nomes:
- Paulo Junqueira, empresário do agronegócio
- Naban Garcia, ex-secretário de Agricultura
- Magno Malta, senador (PL-ES)
Já o terceiro grupo, denominado como “radicais”, se dividia em dois: um mais brando, que queria encontrar fraude nas urnas. O outro, extremista, defendia a tomada do poder por meio de um golpe de Estado.
De acordo com Cid, o grupo de radicais incentivava o golpe de Estado e gostaria que o ex-presidente assinasse o decreto que serviria como base legal e fundamento jurídico para o golpe de Estado.
Segundo Mauro Cid, Bolsonaro pressionava constantemente os aliados para que encontrassem provas de fraude eleitoral, e nesse sentido, esperava uma atuação mais dura do general Paulo Sérgio, então ministro da Defesa, na Comissão de Transparência das Eleições. Ele queria que os comandantes das Forças Armadas estivessem ao seu lado, no entanto, apenas o almirante Almir Garnier, da Marinha, mostrou disposição para aderir ao golpe.














