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Mirelle Pinheiro

Gaeco faz operação contra PCC por financiar manifestações em Brasília

A ação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no estado de São Paulo

atualizado

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1 de 1 operação-gaeco-mpdft2 - Foto: Reprodução

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4/3), a Operação Janus, que investiga um esquema ligado ao braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no estado de São Paulo contra pessoas suspeitas de atuar na movimentação de recursos da facção criminosa.

As investigações apontam que integrantes do grupo teriam utilizado manifestações públicas realizadas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nos anos de 2022 e 2023, como fachada para lavagem de dinheiro e fortalecimento da estrutura financeira da organização criminosa.

Manifestações usadas como fachada

De acordo com o Ministério Público, os atos públicos eram apresentados como mobilizações em defesa de melhorias no sistema penitenciário, mas, na prática, teriam sido integralmente financiados com recursos do PCC.

Segundo os promotores, o dinheiro do crime foi utilizado para custear toda a infraestrutura das manifestações, incluindo transporte interestadual de participantes, montagem de tendas, locação de banheiros químicos, alimentação e material de divulgação.

Com isso, os eventos ganhavam aparência de mobilização social legítima, enquanto serviam para dissimular a circulação de recursos do crime, ampliar a influência da facção e recrutar apoio entre familiares de detentos.

Sistema de auxílio a presos

A investigação também identificou que os mesmos canais financeiros utilizados para custear os atos alimentavam o chamado “sistema de auxílios” da facção.

Por meio desse mecanismo, a organização criminosa realiza pagamentos periódicos a familiares de integrantes presos, estratégia usada para manter a coesão interna e garantir a lealdade dos membros.

A análise de dados bancários apontou movimentações suspeitas de valores elevados, com depósitos em dinheiro e transferências feitas próximas às datas das manifestações investigadas.

Promotores também encontraram indícios do uso de empresas de fachada e pessoas jurídicas com endereços fictícios, utilizadas para facilitar a lavagem de capitais.

A operação contou com apoio do Gaeco do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e com a parceria do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil do DF.

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