
Mirelle PinheiroColunas

Foragido, Rabicó orienta traficantes do CV a roubar “só carro novo”. Veja vídeo
O homem, apontado como tesoureiro do Comando Vermelho, foi alvo de operação nesta sexta-feira (29/5)
atualizado
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A coluna teve acesso a áudios em que o traficante Antônio Ilário Ferreira (foto em destaque), conhecido como “Rabicó”, orienta integrantes do Comando Vermelho (CV) a roubarem apenas veículos novos. Considerado foragido desde 2019, ele continuaria exercendo cargo de liderança dentro da facção.
Na gravação, Rabicó aconselha: “Pô, vamo procurar também ‘panhar’ carro novo, porra, novo, carro ‘zero bala’, porra. Não vamo ‘panhar’ carro velho, não, mano. Carro velho deixa passar batido. Vamo cair ‘pá’ quem tem, valeu, parceirão? ‘Panhar’ carro novo”, diz.
O foragido foi alvo de mais uma fase da Operação Contenção, deflagrada nesta sexta-feira (29/5) pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ). Ele é apontado como responsável por liderar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 453 milhões provenientes do tráfico de drogas.
Em um segundo áudio obtido pela reportagem, o traficante conversa com um suposto colega do crime e demonstra insatisfação com uma intercorrência na distribuição de drogas.
“A boca aqui é minha, o espaço aqui é meu. Se você tiver de mandar alguma droga, você tem que mandar para mim, eu revender e te dar o teu, e você me dar o meu, eu vou me adiantar. Porque não fica uma coisa legal um amigo lá de fora, teu amigo, vir aqui, botar uns pó teu aqui, e eu numa luta fodida, dando tiro na polícia, correndo pra caralho, não ganhando nada, né, Paulista?”, argumenta.
Rabicó continua tentando negociar com o outro traficante, de codinome “Paulista”.
“Meu bagulho aqui é adiantar, entendeu? Mas dessa forma assim não vai ser uma coisa boa para mim, nem para os meus amigos aqui que estão na luta fodida, polícia bota lá e eu meto fogo nele, entendeu? Aí chega teu amigo aqui, bota o pó aqui, ganha o ‘lucrim’ dele e vai embora.”
Quem é Rabicó
Aos 61 anos, Rabicó acumula uma extensa ficha criminal, com registros de homicídio, tentativa de homicídio, tráfico de drogas, associação criminosa e organização criminosa, além de posse e porte ilegal de arma de fogo.
Antes de ganhar notoriedade no Rio de Janeiro, chegou a viver na Paraíba, onde foi preso em 2008 ao se passar por empresário em Mamanguape.
Mesmo atrás das grades, continuou a comandar atividades da facção.
Em 2014, investigações levaram à descoberta de mais de R$ 3 milhões escondidos em tonéis na mata das comunidades da Mangueira e do Salgueiro, além de 50 kg de cocaína e armas — bens atribuídos diretamente ao traficante.
Condenado a mais de 27 anos de prisão, Rabicó cumpriu pena em unidades penitenciárias de segurança máxima no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul.
No entanto, em 2019, foi beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou que aguardasse em liberdade o julgamento de um recurso. Desde então, não retornou à prisão.