
Mirelle PinheiroColunas

Fictor é alvo de inquérito da PF enquanto negocia dívidas na Justiça
O procedimento policial já foi relatado e resultou no indiciamento dos gestores do grupo
atualizado
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O pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Fictor ocorre em paralelo a uma investigação em curso na Polícia Federal (PF), que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo os administradores da holding.
A coluna confirmou que o inquérito tramita na Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros em São Paulo (Delecor), unidade especializada em casos de lavagem de dinheiro e delitos contra o sistema financeiro.
O procedimento policial já foi relatado e resultou no indiciamento dos gestores do grupo, embora ainda não tenha sido oferecida denúncia pelo Ministério Público.
As diligências continuam para esclarecer a origem e a movimentação de recursos e também para verificar se há eventual ligação entre o Fictor e fatos investigados na Operação Compliance Zero.
O nome do grupo ganhou projeção nacional no fim do ano passado, quando a Fictor se apresentou como interessada na compra do Banco Master, às vésperas da liquidação da instituição.
Na ocasião, a empresa chegou a afirmar que contava com apoio de “investidores árabes”, versão que passou a ser questionada com o avanço das investigações e o agravamento da crise financeira.
Blindagem temporária na Justiça
Conforme apurado pela coluna Grande Angular, no campo cível, a Fictor Holding e a Fictor Invest Ltda. obtiveram uma decisão liminar da Tribunal de Justiça de São Paulo que suspende, por 30 dias, execuções judiciais contra as empresas.
A medida foi concedida pelo juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.
A decisão impede, temporariamente, penhoras, arrestos, buscas e apreensões ou qualquer outra forma de constrição sobre bens do grupo. Para o magistrado, o risco de dano ficou caracterizado diante da “corrida de credores” registrada após o pedido de recuperação. Apenas ações em tramitação em São Paulo somariam cerca de R$ 6 milhões.
O juiz destacou que a multiplicação de execuções poderia inviabilizar, de forma definitiva, a continuidade das atividades empresariais, justificando a concessão parcial da tutela de urgência.
Apesar da proteção judicial temporária, a investigação criminal segue sem qualquer interferência da recuperação judicial.
Para fontes ligadas ao caso, os desafios enfrentados pelos administradores do Grupo Fictor vão além da reorganização financeira e incluem suspeitas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades que podem resultar em responsabilização penal.
