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Mirelle Pinheiro

Escola do horror: MP denuncia professoras por tortura de aluno autista

A investigação constatou que a escola operava com funcionários sem registro, alta rotatividade e pessoas sem formação, incluindo adolescente

22/08/2025 13:20, atualizado 22/08/2025 13:21
Reprodução
Amarrado em banheiro: professora é presa por torturar menino autista

Um caso de tortura contra uma criança autista de apenas quatro anos chocou o Paraná e levantou denúncias sobre práticas abusivas em uma escola particular de Araucária. O menino, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) e é não verbal, foi encontrado amarrado pelos punhos e pela cintura a uma cadeira dentro do banheiro da instituição, no dia 7 de agosto. Nesta semana, o Ministério Público do Paraná denunciou as professoras da escola pelo crime de tortura. A diretora e a pedagoga foram denunciadas por omissão imprópria, por terem permitido e orientado as práticas.

A descoberta só foi possível graças à denúncia de uma funcionária, que fotografou a cena e acionou o Conselho Tutelar e a Guarda Municipal. Ao abrirem a porta do banheiro, os agentes encontraram a criança descalça, com os braços presos por fita e um cinto no corpo, batendo os pés em desespero.

“Eles prenderam a roupinha dele para fora, usaram fita crepe nas mãozinhas e um cinto no corpinho dele”, relatou Mirian Ambrozio, mãe da criança. O pai, Augusto Ambrozio, recebeu a notícia enquanto trabalhava: “Disseram: ‘Seu filho está amarrado no banheiro da escola’. Nunca vou esquecer”.

Prática recorrente

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Após o flagrante, outras famílias denunciaram que seus filhos também teriam sido contidos de forma violenta. Uma das provas apresentadas à polícia é uma foto de uma menina de três anos, aluna da mesma escola, amarrada à cadeira há cerca de dois meses.

Áudios entregues por funcionárias revelam que a diretora e proprietária da Escola Shanduca, Danieli Alexandra Zimermann, tinha conhecimento das práticas. Nos registros, ela admite a necessidade de “conter” alunos e orienta que isso seja feito “em outra sala ou com outra funcionária”. Nas redes sociais, Danieli se apresentava como defensora da educação inclusiva, afirmando que crianças autistas precisam de “amor e carinho”.

Falta de preparo e indícios de negligência

A investigação constatou que a escola operava com funcionários sem registro, alta rotatividade e pessoas sem formação pedagógica, incluindo menores de idade. A professora Sara Maria Erdeman Correia, 18 anos, ainda estudante de Pedagogia, foi presa em flagrante por tortura, mas liberada. O Ministério Público já pediu sua prisão preventiva.