
Mirelle PinheiroColunas

Amarrado em banheiro: professora é presa por torturar menino autista
A professora confessou no local ter amarrado o garoto porque ele estava “muito agitado”
atualizado
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Uma professora foi presa em flagrante, na segunda-feira (7/7), por tortura, após amarrar um menino de 4 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) dentro do banheiro de uma escola municipal em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (PR).
A criança, que é não verbal, foi encontrada sozinha, com os pulsos e a cintura presos por tiras de tecido a uma cadeira. O caso aconteceu na unidade localizada no bairro Iguaçu.
Segundo a Guarda Municipal, que atendeu a ocorrência após denúncia anônima, a professora confessou no local ter amarrado o menino porque ele estava “muito agitado”. Conselheiros tutelares também estiveram na escola e relataram que o ambiente era frio e isolado, o que agravou a situação.
A educadora foi levada para a Delegacia da Polícia Civil, onde ficou em silêncio durante o depoimento. Ela passou por audiência de custódia nessa terça-feira (8). A pedagoga da escola, apontada como quem teria autorizado a conduta, também foi conduzida à delegacia, mas acabou liberada.
Ainda não há informações precisas sobre o tempo em que o menino permaneceu amarrado. A mãe da criança, Mirian de Oliveira Ambrozio, contou que foi chamada às pressas pelo marido, após ser informada de que o filho estava preso no banheiro da escola.
Segundo os pais, o filho estuda na escola há quase três anos, mas nos últimos meses os relatos de mau comportamento por parte da equipe escolar começaram a se intensificar.
Após a denúncia, eles também receberam vídeos que mostrariam outras situações semelhantes. Em um deles, registrado dias antes, o garotinho aparece amarrado enquanto outra pessoa segura a mamadeira para alimentá-lo.
A escola suspendeu as aulas na unidade nessa terça-feira (8). Em nota, a direção informou que está colaborando com as investigações. A mãe da criança acompanhou todo o procedimento na delegacia.
Senador solicita apuração
Após o caso ser divulgado na imprensa, o senador Romário (PL-RJ) enviou, nesta quarta (9), ofícios ao Ministério da Educação, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e à Procuradoria-Geral da República, solicitando apuração rigorosa do caso e ações práticas para evitar novos episódios.
Romário pediu que sejam feitos estudos técnicos para a criação de protocolos claros de conduta nas escolas, com foco no respeito à dignidade humana e na prevenção de abusos.
“Casos como o dessa criança no Paraná demonstram que ainda há muito a ser feito em termos de regulamentação, conscientização e treinamento, para que a inclusão que tanto queremos não exponha crianças e adolescentes com deficiência a lamentáveis episódios de maus-tratos e tortura”, ressaltou.
Em ofício à ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, o senador solicitou o acompanhamento do caso, articulação com conselhos tutelares e Ministério Público, e a formulação de diretrizes nacionais para proteção de estudantes com deficiência.
Ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, Romário pediu que a Polícia Federal promova as apurações cabíveis pertinentes ao caso, de forma a responsabilizar os envolvidos.
Já à PGR, o político requisitou a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos com base na violação dos direitos fundamentais da criança com deficiência.
