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Mirelle Pinheiro

Entenda investigações contra o pastor Márcio Poncio, alvo de buscas da PF

O empresário voltou a ser alvo de buscas da Polícia Federal nesta quinta-feira (29/10), durante a 9ª fase da Operação Unha e Carne

29/10/2026 14:46, atualizado 29/10/2026 14:48
Reprodução/ Instagram
Entenda investigações contra o pastor Márcio Poncio, alvo de buscas da PF

O pastor e empresário Márcio Poncio (foto em destaque) voltou a ser alvo da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (29/10), durante a 9ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e uso de empresas para dissimular a propriedade de bens e valores. Preso em julho deste ano na quinta fase da ação, ele teve a prisão preventiva convertida em domiciliar por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, a PF apurava indícios de lavagem de dinheiro envolvendo o chamado “paco” da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e possíveis ligações com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo. A investigação também mirava pagamentos do jogo do bicho e da “Máfia do Cigarro” a agentes públicos.

Márcio Poncio, empresário do setor de tabaco e membro da Igreja da Nuvem, construiu sua trajetória nesse mercado, o que lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”.

Ele foi preso em um flat na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 2 de julho. Na semana seguinte, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva em domiciliar. Poncio deixou a cadeia em 12 de julho.

Na mesma fase da operação, a Justiça decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho e apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, além do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso.

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Operação

A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 para apurar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais contra o Comando Vermelho (CV).

Com o avanço das investigações, a PF ampliou o foco da apuração e passou a investigar uma possível rede de proteção ao crime organizado, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.

Segundo a PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. O valor consta em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à corporação.

As investigações identificaram indícios de uma rede patrimonial formada por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, mas que estariam sob administração de integrantes do grupo.

9ª fase

A 9ª fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada após a análise de dados extraídos de um celular apreendido na quinta fase da investigação. Segundo a PF, as informações revelaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo para administrar, ocultar e movimentar recursos financeiros.

Nesta quinta-feira (29/10), os investigadores cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro. As diligências ocorrem em salas comerciais ligadas a Poncio e na residência de Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho.

De acordo com a PF, as salas comerciais são apontadas como estruturas operacionais e administrativas do grupo. Os agentes buscam documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis e outros elementos de prova relacionados à investigação. As ordens judiciais foram expedidas pelo STF.

Na última fase da ação policial, o deputado estadual eleito Márcio Canella e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do RJ (PCERJ), foram presos.

Canella já tinha sido alvo de busca e apreensão na sexta fase, quando acabou preso após os investigadores encontrarem um fuzil calibre .556 em situação irregular dentro de um veículo pertencente a ele.