
Mirelle PinheiroColunas

Enquadro e corró: motorista detalha ação ao ser acusado por delegada. Veja vídeo
Pedro Herick, de 26 anos, foi detido na quinta (8/1), após uma delegada da Polícia Federal esquecer um notebook em seu carro
atualizado
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Em entrevista à coluna, o motorista de aplicativo Pedro Herick da Costa (foto em destaque), de 26 anos, detalhou a abordagem que classifica como truculenta à qual foi submetido no último dia 8, após ser, supostamente, acusado de extorsão por uma delegada da Polícia Federal (PF). A coluna apurou que se trata de Dominique de Castro.
Em um vídeo enviado para a coluna, Pedro deu detalhes da abordagem. Era um dia comum. Ele seguia a rotina que mantém há cerca de quatro anos. Saiu de casa, em Santo Antônio do Descoberto (GO), no Entorno do Distrito Federal (DF), rumo a Brasília, onde trabalha como motorista de aplicativo.
Em determinado momento, recebeu uma chamada para levar uma passageira do Setor Hoteleiro até o Aeroporto Internacional de Brasília. A viagem transcorreu normalmente, mas o esquecimento de um objeto no veículo acabou levando o motorista à Superintendência da Polícia Federal.
O início da confusão
Conforme a versão de Pedro, registrada em boletim de ocorrência, após concluir a corrida, ele iniciou outra viagem, com destino ao mesmo local de onde havia partido anteriormente. Foi nesse momento que percebeu a presença de uma pasta no banco traseiro do carro e supôs que a passageira tivesse esquecido o objeto, que continha um notebook.
Pouco depois, ele foi procurado por Dominique por meio da plataforma. Pedro confirmou que estava com o equipamento, mas informou que precisaria finalizar a corrida em andamento antes de retornar ao aeroporto. Também avisou que cobraria R$ 50 pelo deslocamento necessário para devolver o notebook.
Segundo o motorista, a delegada teria se recusado imediatamente a pagar o valor, alegando estar sendo vítima de extorsão. Diante da negativa, Pedro afirma ter enviado uma mensagem explicando que o Código Civil prevê, inclusive, o recebimento de até 5% sobre itens achados, mas que ele cobraria apenas a taxa referente ao deslocamento.
“Eu falei que estava amparado pela legislação e que, ainda assim, não cobraria os 5%, mas somente o valor da viagem, porque simulei o trajeto no aplicativo antes de cobrar os R$ 50”, contou. Ele também afirmou ter destacado que a orientação da plataforma é deixar objetos esquecidos na delegacia mais próxima, e não devolvê-los diretamente ao proprietário.
Apesar disso, Pedro diz que se dirigiu ao local combinado. No momento da entrega do notebook, no entanto, afirma ter sido surpreendido por agentes da PF.
“Abuso de poder”
Revoltado, Pedro relatou que foi abordado por quatro agentes da Polícia Federal no saguão do aeroporto, em meio à multidão.
“Eles não se apresentaram. Já chegaram perguntando o que eu estava fazendo. Eu disse que estava entregando o notebook, mas que ela não queria pagar os R$ 50. Então me chamaram de vagabundo e disseram que o que eu estava fazendo era extorsão, que eu era um estelionatário”, relembrou.
De acordo com o motorista, os agentes não lhe deram espaço para explicações e chegaram a tentar algemá-lo. “Eu disse que eles não iam me algemar, porque não estavam lidando com um bandido, mas com um trabalhador. Eu não tinha feito nada de errado, só cobrei a taxa porque eram mais de 16 quilômetros, além do meu tempo e da gasolina”, afirmou.
Segundo Pedro, embora não tenha sido algemado, ele foi arrastado pelo aeroporto até uma sala isolada. “Me seguraram pelo braço, pela camisa e pela calça. Estava todo mundo olhando.”
Após ser identificado na delegacia do aeroporto, ele relata que foi colocado no camburão de uma viatura e levado à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
“Foi uma humilhação. Fizeram isso na frente de todo mundo, com o aeroporto cheio. O tempo todo me chamavam de vagabundo. Eu tentava explicar a questão da lei, mas eles repetiam que não se aplicava ao caso e que o que eu estava fazendo era crime de apropriação indébita”, desabafou.
Pedro contou ainda que, na delegacia, foi colocado em uma sala e, ao conversar com o delegado responsável pelo registro do caso, ouviu que havia um equívoco por parte dos agentes e da delegada.
“O próprio delegado disse que não havia extorsão. Eu entrei pela porta da frente e saí pela porta da frente. Se eu tivesse feito algo errado, ele teria registrado os crimes e, se fosse desacato, eu teria assinado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO)”, concluiu.
A versão da PF
Por meio de nota, a Polícia Federal afirmou que, durante a devolução do notebook, o motorista teria desacatado os policiais federais presentes no local.
“Ele foi encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal para esclarecimentos, sem prisão ou uso de algemas”, afirmou a PF.
Uma investigação será instaurada para a apuração de eventuais crimes cometidos.












