Mirelle Pinheiro

Empresas de presos com R$ 1,25 milhão em mala não têm funcionários

As investigações da Polícia Federal indicam que as empresas podem ter sido utilizadas para desvio de recursos públicos

atualizado

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Empresas de presos com R$ 1,25 milhão em mala não têm funcionários
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As empresas dos três homens presos com R$ 1,25 milhão em espécie no Aeroporto Internacional de Brasília não possuem funcionários registrados, embora declarem faturamentos milionários e contratos com prefeituras do Amazonas. César de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho foram detidos na última terça-feira (20/5), durante fiscalização de rotina no desembarque de um voo procedente de Manaus.

Levantamentos realizados pela coluna junto à Receita Federal e ao Ministério do Trabalho mostram que a empresa Comercial CJ, de propriedade de César de Jesus, não possui nenhum colaborador formalmente contratado, mesmo com faturamento declarado de cerca de R$ 2 milhões mensais.

O mesmo padrão se repete nas empresas dos outros dois presos. A Saraiva Comércio de Confecção Ltda, vinculada a Erick Pinto Saraiva, recebeu R$ 64 mil da campanha do prefeito eleito de Itacoatiara (AM), Mario Jorge Bouez Abrahim, em 2024, mas também não possui registro de funcionários nos sistemas oficiais.
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Eles foram flagrados nessa terça (20/5)
A PF notou a presença das notas por meio do Raio-X
Os empresários tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva
INSS
Empresários presos com R$ 1,2 milhão em mala no Aeroporto de Brasília
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Empresários presos com R$ 1,2 milhão em mala no Aeroporto de Brasília

Eles foram flagrados nessa terça (20/5)
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Eles foram flagrados nessa terça (20/5)

PF/Divulgação
A PF notou a presença das notas por meio do Raio-X
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A PF notou a presença das notas por meio do Raio-X

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Os empresários tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva
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Os empresários tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva

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Polícia Federal

Durante interrogatório, César de Jesus afirmou ser dono da Comercial CJ desde 2018, atuando no “ramo de comércio de alimentos, prestação de serviços de transporte, fornecimento de material de escritório, dentre outras atividades”. Contudo, a diversidade dos serviços declarados contrasta com a ausência de estrutura operacional mínima.

Questionados sobre a origem do dinheiro, os três afirmaram que os valores seriam provenientes de pagamentos feitos por prefeituras e que estavam em Brasília para “pagar fornecedores” e adquirir bens para seus negócios, com destino posterior a Goiás.

Porém, conforme registrado em depoimento policial, os presos não apresentaram provas concretas da existência de tais fornecedores.

As investigações da Polícia Federal indicam que as empresas podem ter sido utilizadas para desvio de recursos públicos. Pesquisas complementares realizadas pelos investigadores apontam indícios de contratos públicos suspeitos celebrados pelas empresas dos investigados.

O caso se agrava pelo fato de que os três presos, embora se apresentem como empresários de sucesso, foram beneficiários de programas assistenciais do Governo Federal. Apenas César de Jesus, por exemplo, recebeu R$ 20 mil em auxílios.

As conexões políticas também chamam atenção. Vagner Santos Moitinho é pai do vereador Lucas Souza Moitinho, eleito em 2024 pelo União Brasil na cidade de Presidente Figueiredo (AM). Já César de Jesus consta na prestação de contas do mesmo vereador.

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