Mirelle Pinheiro

Empresário preso em lancha já foi condenado por pagar propina à Receita

Segundo as investigações, Gineste integrava o núcleo financeiro da organização, responsável por movimentar valores por meio de holdings

atualizado

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Divulgação/Polícia Federal (PF)
Imagens coloridas mostram lateral de viatura com distintivo e inscrição da Polícia Federal, além de dois agentes com coletes da corporação à frente do veículo
1 de 1 Imagens coloridas mostram lateral de viatura com distintivo e inscrição da Polícia Federal, além de dois agentes com coletes da corporação à frente do veículo - Foto: Divulgação/Polícia Federal (PF)

Um dos empresários presos na megaoperação Tank, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (28/8), já tinha um passado marcado por escândalos de corrupção.

Rafael Renard Gineste, sócio-administrador da F2 Holding Investimentos, tentou driblar os investigadores escondendo-se em uma lancha de luxo ancorada em Bombinhas (SC), mas acabou surpreendido e preso.

A ação integra o esforço conjunto da PF e da Receita Federal para desmantelar uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no setor de combustíveis, com movimentação que ultrapassa R$ 23 bilhões desde 2019.

Alvo de mandado de prisão preventiva, Gineste foi localizado em Santa Catarina. Quando os policiais chegaram até a praia de Bombinhas, encontraram o empresário tentando se esconder dentro de uma lancha de luxo, na tentativa de escapar da prisão.

Segundo as investigações, Gineste integrava o núcleo financeiro da organização, responsável por movimentar valores por meio de holdings e empresas de fachada. A rede usava postos de combustíveis, distribuidoras, fintechs e até fundos de investimento para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.

Histórico
O nome de Gineste não é novo para os investigadores. Em 2016, ele foi um dos 42 condenados na primeira fase da Operação Publicano, conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).

Na época, o esquema revelou uma rede de corrupção dentro da Receita Estadual do Paraná, baseada no pagamento de propinas a auditores fiscais em troca da redução de impostos devidos. Gineste foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão por corrupção ativa.

O caso ficou marcado pela grandiosidade. A Justiça estimou que a rede desviou cerca de R$ 1,79 bilhão em impostos, juros e multas, em um dos maiores escândalos tributários da história do estado.

Operação Tank
Mais recente, a Operação Tank investiga a lavagem de R$ 600 milhões e a movimentação de mais de R$ 23 bilhões em cinco anos, por meio de centenas de empresas e instituições financeiras ligadas ao setor de combustíveis.

As táticas incluíam depósitos fracionados em espécie (mais de R$ 594 milhões); uso de “laranjas” e empresas de fachada; fraudes contábeis; e adulteração de gasolina e o golpe da “bomba baixa”, que prejudicava diretamente os consumidores.

Balanço parcial

Até agora, apenas seis dos 14 alvos com prisão decretada foram capturados. Além de Gineste, foram presos:
• João Chaves Melchior, ex-policial civil;
• Ítalo Belon Neto, empresário do setor de combustíveis;
• Rafael Bronzatti Belon, dono da Tycoon Technology e do Zeit Bank;
• Gerson Lemes;
• Thiago Augusto de Carvalho Ramos, empresário de Curitiba.

Entre os foragidos estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “Jumbo”, apontado como o epicentro do esquema, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, considerado co-líder da organização.

Foram bloqueados bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, incluindo 192 imóveis, 2 embarcações e 1.500 veículos, totalizando uma constrição patrimonial de mais de R$ 1 bilhão.

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