
Mirelle PinheiroColunas

Em relatório enviado ao STF, PF cita Vorcaro como “profissional do crime”
PF ainda citou que Vorcaro e aliados atuavam na captação ilícita de servidores, além de contratar influenciadores para atacar autoridades
atualizado
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A investigação da Polícia Federal (PF) classificou o banqueiro Daniel Vorcaro como um “profissional do crime” e concluiu que a milícia ligada a ele, intitulada de “A Turma”, atuava de forma violenta e coordenada.
No texto enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para pedir autorização para deflagrar a terceira fase da operação Compliance Zero, a PF citou que Vorcaro e os aliados atuavam na captação ilícita de servidores públicos, além de contratar influenciadores para atacar autoridades públicas.
“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário.”
Para a PF, o objetivo era construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tivessem que se utilizar de atos de violência física e coação por meio da milícia.
Preso outra vez
Daniel Vorcaro voltou a ser preso na manhã desta quarta-feira (4/3). O motivo seria exatamente a existência da estrutura paralela que funcionaria como uma “milícia privada”, segundo a PF.
A Polícia Federal sustenta que essas movimentações reforçam o risco de obstrução da Justiça, o que motivou o pedido de prisão preventiva.
Além disso, a nova fase da operação investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídas a integrantes do grupo investigado.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro informa “que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, destaca a nota.
Alvos
Além de Daniel Vorcaro, também são alvo da operação Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como possível operador financeiro do grupo. Ele se entregou à PF na manhã desta quarta.
A decisão judicial também determinou o afastamento dos ex-diretores do Banco Central Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que foram alvo de buscas no âmbito da investigação.
A ação da PF também resultou em mandados de prisão contra outros investigados, além de buscas e apreensões em diferentes estados.
O STF ainda determinou o bloqueio de bens, que podem chegar a R$ 22 bilhões.
Vorcaro já havia sido preso anteriormente durante as primeiras etapas da investigação, mas acabou liberado após decisão judicial.













