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Mirelle Pinheiro

Diretor da PF diz que Venezuela fechou fronteira; Brasil mantém aberta

À coluna, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a fronteira entre Brasil e Venezuela foi fechada do lado venezuelano

atualizado

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Diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ricardo Lewandowski Polícia Federal abra um inquérito para investigar a rede de distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol Metropoles 1
1 de 1 Diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ricardo Lewandowski Polícia Federal abra um inquérito para investigar a rede de distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol Metropoles 1 - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A Polícia Federal (PF) acompanha de perto a escalada de tensão na Venezuela após a confirmação, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma operação militar que teria resultado na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Em conversa com a coluna, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a fronteira entre Brasil e Venezuela foi fechada do lado venezuelano, enquanto o Brasil mantém seus postos abertos.

Segundo ele, a PF já atua em articulação direta com o Itamaraty para monitorar possíveis desdobramentos do conflito.

“Nosso adido policial e adido adjunto estão na Embaixada do Brasil em Caracas, colhendo informações diariamente para assessorar a embaixadora e tentar antever movimentos. Por enquanto, todos estão em segurança. A Venezuela fechou a fronteira. O Brasil, não”, afirmou Rodrigues.

A declaração ocorre após Trump anunciar, na rede Truth Social, que forças norte-americanas realizaram um ataque de grande escala contra alvos na Venezuela, incluindo a capital Caracas.


EUA x Venezuela

  • A tensão na América Latina e no Caribe se intensificou nos últimos meses após os EUA anunciarem ataques ao território da Venezuela.
  • Desde o início da ofensiva militar norte-americana na região, sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas, as tensões se prolongaram. Em meio ao agravamento do cenário, Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump. Isso porque o presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional.
  • Nicolás Maduro havia se mostrado disposto a dialogar com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita durante entrevista ao jornalista Ignacio Ramonet, publicada na quinta-feira (1º/1).
  • No fim de novembro de 2024, os dois presidentes chegaram a conversar. O contato, segundo Maduro, foi “agradável”. O presidente da Venezuela, porém, afirmou que os “desdobramentos após as negociações não foram agradáveis”.
  • Desde a conversa, Trump subiu o tom e aumentou a retórica militar na América Latina e Caribe, e avançou com a ofensiva que começou no segundo semestre do último ano.
  • A ação se soma a outras realizadas por forças norte-americanas enviadas para a região em meados de agosto de 2024. A mobilização militar inclui fuzileiros navais, uma frota de navios de guerra, o porta-aviões USS Gerald R. Ford, um submarino nuclear e caças F-35.
  • Mais de 20 embarcações já foram bombardeadas em águas caribenhas e do Pacífico durante a operação Lança do Sul, cujo objetivo declarado é combater o tráfico de drogas na região.

Segundo o presidente dos EUA, Maduro teria sido capturado e retirado do país junto com a mulher, Cilia Flores. Trump afirmou ainda que uma coletiva de imprensa seria realizada para detalhar a operação.

O governo venezuelano reagiu duramente às declarações. Em comunicado oficial, Maduro — que não reconhece a captura — decretou estado de emergência nacional e acusou os Estados Unidos de promover uma “agressão militar imperialista” contra áreas civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

O regime convocou a mobilização das forças armadas e de grupos civis aliados.

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