Déficit de peritos ameaça investigações de alta complexidade na PF
A APCF alertou que a convocação de todos os aprovados no concurso vigente representa a forma mais rápida de recompor o efetivo

A baixa renovação do quadro de peritos criminais federais pode comprometer, nos próximos anos, a capacidade da Polícia Federal (PF) de produzir provas científicas em investigações de alta complexidade. O alerta é de um levantamento da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), que aponta possíveis impactos em apurações de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros, cibernéticos, ambientais e envolvendo organizações criminosas.
Para evitar um cenário como o descrito, a entidade defende a convocação de todos os aprovados no último concurso da corporação, com o objetivo de recompor o efetivo da carreira.
Atualmente, a PF conta com pouco mais de mil peritos criminais federais em atividade e cerca de 120 cargos vagos. De acordo com o levantamento da APCF, além do déficit atual, cerca de 30% do efetivo estará na faixa de aposentadoria voluntária até 2028, o que pode ampliar a redução do quadro caso não haja reposição na mesma proporção.
Os dados apontam, ainda, para uma baixa renovação da carreira. Apenas 1,6% dos peritos em atividade ingressaram na PF nos últimos cinco anos, enquanto 77% do efetivo têm 45 anos ou mais.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroAlém disso, segundo a APCF, quase metade dos atuais peritos ingressou na instituição em um mesmo intervalo de cinco anos, o que aumenta a possibilidade de uma saída concentrada de profissionais experientes ao longo da próxima década.
O concurso da PF em andamento prevê a nomeação de aproximadamente 100 peritos. No entanto, segundo a associação, cerca de outros 200 candidatos aprovados ainda aguardam a convocação.
“O fortalecimento da perícia criminal federal passa pelo planejamento da força de trabalho. Estamos diante de um quadro que combina a necessidade urgente de criação e preenchimento de cargos para perito criminal federal, projeção de aposentadorias e demanda crescente por exames periciais cada vez mais especializados. A recomposição do efetivo é fundamental para que a instituição continue prestando um serviço de excelência à sociedade”, afirma o presidente da APCF, Marcos Camargo.
Para a entidade, a convocação de todos os aprovados no concurso vigente representa a forma mais rápida de recompor o efetivo, preservar a capacidade de atendimento da perícia criminal federal e evitar que o déficit se agrave nos próximos anos.





