Defensoria de MT exonera subdefensor após duas denúncias de assédio. Veja vídeo
Rogério Borges Freitas já estava afastado cautelarmente das funções desde 13 de maio deste ano, por determinação da Defensoria Pública-Geral

O defensor público Rogério Borges Freitas será exonerado do cargo de 1º Subdefensor Público-Geral da Defensoria Pública de Mato Grosso. A decisão ocorre após uma série de denúncias de assédio moral e sexual reveladas pela coluna, que resultaram na abertura de investigações na Polícia Civil e em procedimentos internos na instituição.
Em nota enviada à reportagem, a Defensoria informou que o ato de exoneração será publicado no Diário Oficial na terça-feira (30/6). Rogério já estava afastado cautelarmente das funções desde 13 de maio deste ano, por determinação da Defensoria Pública-Geral.
A medida ocorre após a coluna divulgar uma nova denúncia contra o defensor. Documentos obtidos pela reportagem mostram que uma segunda mulher acusou Rogério de assédio moral e sexual.
Em depoimento prestado neste mês, a ex-servidora afirmou que o defensor teria tentado beijá-la à força dentro de um carro, além de fazer comentários recorrentes sobre sua aparência e manter contatos físicos sem consentimento.
A denúncia se soma a outro caso já investigado pela Polícia Civil. Conforme revelado anteriormente pela coluna, uma outra servidora acusa Rogério de importunação sexual, constrangimento ilegal e humilhações ocorridas ao longo de quase dez anos.
Também obtivemos acesso a áudios de uma reunião interna realizada em março deste ano. Na gravação, Rogério afirma que a servidora possuía um “espírito faccioso” e comportamento de “rebeldia”.
“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Não aquieta a língua. Ninguém quer saber da sua vida. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém”, diz o defensor em um dos trechos.
Na mesma reunião, a servidora relata o impacto psicológico da situação vivida no ambiente de trabalho.
“Eu estou sobre medicação, tratamento psiquiátrico e psicológico. O que a gente vê é que tudo é abafado. Eu só estou aqui porque eu preciso. Senão, eu já pensei até de pular lá de cima com as coisas que ele falou”, afirmou.
Apesar da exoneração do cargo de gestão, a Defensoria informou que as denúncias formalizadas contra Rogério seguem sob análise da Corregedoria-Geral.
“A Instituição reforça que as denúncias formalizadas contra o defensor público na Corregedoria-Geral do Órgão estão em apuração”, informou.
A Defensoria acrescentou que, em respeito ao devido processo legal, não divulgará detalhes sobre procedimentos em andamento ou informações relacionadas a processos sigilosos.
“A DPEMT ratifica que a Comissão de Prevenção, Tratamento e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual (CPTEA), instituída por meio da Resolução nº 16/2023/DPG, segue atuando na prevenção e no enfrentamento ao assédio e à discriminação, assegurando escuta qualificada, acolhimento humanizado e orientação sobre os procedimentos adequados às pessoas que se percebam vítimas ou testemunhas de situações ocorridas no âmbito institucional.”
A Polícia Civil confirmou que os dois casos continuam sendo investigados pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.




