Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

Dark Horse: PF liga emendas de Frias a hotel de luxo durante gravações

Relatório detalha R$ 906 mil pagos ao Hotel Unique pela produtora no mesmo período das filmagens e de repasses indiretos do deputado

10/09/2026 18:07, atualizado 10/09/2026 18:37
Bruno Spada/Câmara dos Deputados; Divulgação
Montagem de imagens mostra Mario Frias (à esquerda) e Pôster do filme sobre Jair Bolsonaro (à direita) - Metrópoles

A Polícia Federal (PF) identificou gastos de luxo feitos pela produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o período de gravações da obra. Segundo análise financeira citada na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões em operações consideradas atípicas, incluindo R$ 906,7 mil pagos a um hotel de luxo e R$ 653,1 mil em serviços de alimentação corporativa.

A avaliação consta no documento em que o ministro autorizou os mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros 48 investigados. As medidas foram determinadas no âmbito da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10/9), para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

Segundo a investigação, a empresa Go Up Entertainment Ltda., que tem como sócia a empresária Karina Ferreira da Gama, também alvo da operação, e como produtor executivo Mario Frias, movimentou R$ 8,9 milhões a crédito e R$ 10 milhões a débito entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.

O período das transações coincide com a fase em que o filme foi gravado na cidade de São Paulo, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.

Gastos

Entre os principais destinos dos recursos que saíram das contas da produtora, os investigadores destacaram pagamentos realizados a empresas dos setores de hotelaria e alimentação.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro

R$ 906,7 mil foram repassados, em nove transações, à Unique Serviços de Hotelaria e Alimentação, empresa responsável pelo Hotel Unique, estabelecimento de alto padrão na capital paulista.

Outros R$ 653,1 mil foram destinados à Foodflix Alimentação Ltda., especializada em serviços de planejamento alimentar e refeições corporativas.

Além disso, a produtora transferiu R$ 896,6 mil para a BAW Facilitadora de Pagamentos Ltda. e R$ 492,2 mil para produtoras audiovisuais, entre elas J D da Silva Produções e Mazal Produções.

A apuração também mapeou a origem dos recursos que abasteceram a Go Up Entertainment durante o período analisado. Entre os remetentes identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), está a NTT Brasil Ltda., que transferiu R$ 750 mil para a produtora.

Segundo a PF, o valor é compatível com os R$ 700 mil recebidos por empresas do mesmo grupo econômico por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), no âmbito de termos de fomento custeados por emendas parlamentares.

O próprio Mario Frias transferiu R$ 645,4 mil para a produtora em menos de 60 dias. A movimentação chamou a atenção dos investigadores, porque os rendimentos mensais do deputado eram de aproximadamente R$ 44 mil.

Outra empresa ligada a Karina Gama, a GO7 Assessoria, transferiu R$ 2,61 milhões para a Go Up Entertainment.

Na avaliação da corporação, reproduzida na decisão de Dino, os repasses cruzados entre o parlamentar, entidades sociais e a produtora do filme fazem parte da apuração sobre um “circuito financeiro fechado” voltado ao direcionamento e à ocultação de recursos públicos.

Operação

A Operação Make Up foi realizada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão pelo STF, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

A coluna apurou que os investigadores apreenderam o celular de Mario Frias. Também foram apreendidas sete armas de fogo e carros de luxo ligados ao parlamentar.