Dark Horse: PF vê rede de desvios e Dino cita "razões de sobra" para buscas
Operação mira o deputado Mario Frias e investiga organização que direcionava emendas parlamentares a ONGs e à produtora do filme

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver “razões de sobra” para autorizar os mandados de busca e apreensão da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10/9). A investigação da corporação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e alcança pessoas ligadas ao filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação consta da decisão em que o ministro autorizou as medidas contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros investigados. Ao fundamentar as buscas, o ministro afirmou que as “fundadas razões” exigidas pelo Código de Processo Penal estavam “fartamente demonstradas” na representação apresentada pela PF.
Segundo a PF, há indícios da existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos federais, por meio de termos de fomento custeados por emendas parlamentares, a organizações da sociedade civil. Entre elas estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Dark Horse
A investigação também identificou movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas à produção do filme. A decisão de Dino cita levantamentos da PF que apresentam Karina Ferreira da Gama como empresária ligada ao filme e próxima politicamente de Mario Frias. Ela teria participado da campanha eleitoral do deputado em 2022.
O documento registra ainda que uma empresa de propriedade de Karina prestou serviços à campanha de Frias. Posteriormente, o Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela, recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares de autoria do deputado.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroA PF também identificou transferências feitas pelo próprio Frias à Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina e responsável pela produção do filme. Foram R$ 645,4 mil transferidos em menos de 60 dias.
Segundo a investigação, os rendimentos mensais do deputado eram de aproximadamente R$ 44 mil. Por isso, os investigadores passaram a analisar o “lastro financeiro” utilizado por ele para realizar os repasses.
Outro ponto levantado pela PF envolve uma transferência de R$ 750 mil da empresa NTT Brasil para a Go Up Entertainment durante o período de gravações de Dark Horse, entre outubro e dezembro de 2025.
A movimentação foi considerada pelos investigadores compatível com os R$ 700 mil repassados pelo Instituto Conhecer Brasil a empresas do mesmo grupo editorial no âmbito do termo de fomento.
Operação
A Operação Make Up foi realizada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão pelo STF, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A coluna apurou que os investigadores apreenderam o celular de Mario Frias. Também foram apreendidas sete armas de fogo e carros de luxo ligados ao parlamentar.





