CRM repudia exposição após prefeito acusar médicos de namorar no hospital.
Em vídeo, o prefeito de Barreiros (PE), Carlinhos da Pedreira (PP), aparece gritando com os médicos e chamando-os de “vagabundos”

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) publicou nota de repúdio, nessa quinta-feira (5/11), após a divulgação de um vídeo em que o prefeito de Barreiros (PE), Carlinhos da Pedreira (PP), aparece acusando dois médicos de estarem namorando durante o plantão no Hospital Municipal Jailton Messias de Sousa Albuquerque, na noite de quarta-feira (4/11).
No texto, o Conselho condenou a exposição pública dos médicos plantonistas, que não tiveram os rostos borrados na gravação original.
“O Conselho recebeu com grande preocupação o episódio e ressalta que eventuais questionamentos sobre a assistência médica, o cumprimento das escalas de plantão e o funcionamento dos serviços de saúde devem ser tratados pelos meios institucionais e legais competentes, sem exposição ou constrangimento dos profissionais envolvidos.”
O texto afirma, ainda, que a fiscalização dos serviços públicos de saúde não dá a qualquer gestor “o direito de expor médicos ao julgamento público, tampouco de comprometer sua honra, imagem e dignidade profissional”.
O pronunciamento ocorre após uma gravação em que o prefeito acusa os profissionais de saúde de estarem “namorando” durante o expediente viralizar nas redes sociais.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroNo vídeo, o prefeito se depara com os médicos trancados em um cômodo. Ao descobrir que a dupla estava sozinha no alojamento, ele grita e afirma que os profissionais estariam “dormindo juntos” e “namorando”, enquanto a emergência estaria lotada de pacientes. Ele chega a ordenar que os médicos sejam presos.
“A minha emergência lotada de gente e vocês aqui dormindo? Namorando?”, grita o prefeito para os médicos.
“É um absurdo! Pode botar para fora agora. Saiam daqui, desse hospital. Vagabundos! Vagabundos! Pode prender, levar eles para a delegacia”, continua, elevando o tom de voz.
Fim de contrato
Após o episódio, a Prefeitura anunciou, nessa quinta-feira (5/11), o rompimento do contrato firmado com a Associação João Paulo II, responsável pela administração do hospital, e afirmou ter reassumido a gestão da unidade.
“A decisão foi adotada após acompanhamento e avaliação da execução contratual, observando os princípios da legalidade, da responsabilidade administrativa e, sobretudo, do interesse público”, informou a Prefeitura em nota oficial.


