Crimes graves demoram a chegar à PCDF; SSP promete corrigir falha
Homem atacado e queimado na Asa Sul e briga com tiros em Ceilândia estão entre os casos que demoraram a chegar à Polícia Civil

Ao apurar diferentes ocorrências policiais no Distrito Federal, a coluna identificou um problema no fluxo de compartilhamento de informações entre as forças de segurança que pode retardar o início de investigações criminais. Em pelo menos dois casos recentes, atendidos inicialmente pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) só tomou conhecimento dos fatos dias depois.
Em entrevista à coluna, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), Alexandre Patury, reconheceu que situações como essas já foram identificadas pela pasta e afirmou que medidas estão sendo adotadas para evitar novos casos.
Segundo ele, o DF implantou, há cerca de dois anos, o Sinesp CAD, plataforma criada para integrar os sistemas utilizados pela PMDF, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil. Apesar disso, explicou que algumas ocorrências chegam inicialmente às equipes de emergência como acidentes ou atendimentos médicos e apenas posteriormente surgem indícios de que houve um crime.
“Às vezes o bombeiro atende alguém por uma queda ou um princípio de incêndio e, posteriormente, verifica-se que havia uma situação criminosa. São situações pontuais que já estamos adequando no sistema”, afirmou.
Patury negou que exista um problema estrutural de comunicação entre as corporações e classificou os episódios como residuais diante do volume diário de atendimentos realizados pelas forças de segurança.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro“Atendemos entre 3 mil e 7 mil ligações por dia. Quando acontece um ou dois casos como esses, são situações residuais. Mesmo assim, estamos trabalhando para que esse número chegue a zero”, disse.
Como solução, a Secretaria de Segurança Pública pretende implantar um identificador único para cada ocorrência, permitindo que o mesmo atendimento seja acompanhado por todas as instituições desde o primeiro acionamento até o encerramento do caso.
Segundo o secretário, atualmente cada corporação utiliza um sistema próprio, como o Nexus, da PMDF, e o Millennium, da PCDF. A proposta é que todos passem a acompanhar o histórico completo da ocorrência, independentemente da força que realizou o primeiro atendimento.
Homem queimado
Um dos episódios ocorreu na Asa Sul. Um homem de 31 anos sofreu queimaduras em mais de 60% do corpo durante uma tentativa de homicídio registrada na EQS 310/311.
De acordo com as investigações, a vítima dormia sob uma marquise quando foi atacada por um homem em situação de rua conhecido como “Pernambuco”. Após uma discussão motivada por desavenças antigas, o suspeito teria agredido a vítima com uma barra, lançado tíner sobre seu corpo e ateado fogo.
O homem foi socorrido em estado grave pelo Corpo de Bombeiros. No entanto, conforme apurado pela coluna, o atendimento foi inicialmente registrado como um caso de queimadura. Somente dias depois surgiram elementos indicando que a vítima havia sido alvo de uma tentativa de homicídio.
A Polícia Civil informou que só foi oficialmente comunicada do caso em 25 de julho, 10 dias após os fatos. Segundo a corporação, a partir do registro, foram iniciadas as diligências, incluindo deslocamentos aos locais relacionados à ocorrência para coleta de informações.
Ao comentar o caso, Patury afirmou que o suspeito chegou a ser preso e apresentado à Justiça, mas acabou sendo colocado em liberdade posteriormente.
Briga com tiros
Outro caso ocorreu na noite de segunda-feira (27/7), na QNM 33, em Ceilândia.
DE acordo com informações obtidas pela coluna, entre 10 e 15 pessoas participaram de uma briga nas proximidades do Castelo Forte e da sede da Facção Brasiliense. Os envolvidos utilizaram paus e pedras durante as agressões, e vídeos gravados no local mostram disparos de arma de fogo durante a confusão. Parte dos participantes seria ligada às torcidas organizadas do Brasiliense e do Gama.
Embora a ocorrência tenha sido atendida pela Polícia Militar, a Polícia Civil informou à coluna que não localizou qualquer registro relacionado ao episódio, o que impediu o imediato início de uma investigação.
A coluna procurou a PMDF e o Corpo de Bombeiros para comentar os dois casos, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.





