PCDF: grupo faturava R$ 1 milhão por mês vendendo dados de autoridades
As informações constam na investigação que levou à prisão de quatro suspeitos nesta quinta-feira (30/7)

A organização criminosa alvo da Operação Dark Spot, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), chegou a faturar mais de R$ 1 milhão por mês com a venda ilegal de dados sigilosos de autoridades públicas e de milhões de brasileiros. As informações constam na investigação que levou à prisão de quatro suspeitos nesta quinta-feira (30/7).
Segundo a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o grupo operava plataforma digital que comercializava consultas a bancos de dados protegidos por sigilo legal, incluindo informações da Receita Federal, da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), de registros de veículos, de processos judiciais e de sistemas corporativos de órgãos de segurança pública.
Os acessos eram vendidos por meio de créditos pagos via PIX e criptomoedas.
Durante a investigação, policiais realizaram consultas de teste e conseguiram acessar dados válidos de altas autoridades públicas do Distrito Federal, evidenciando, segundo a corporação, o risco a que estavam submetidos milhões de cidadãos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroEntre maio de 2023 e junho de 2024, a plataforma registrou mais de 18 milhões de consultas, realizadas por mais de 257 mil endereços de IP, com 45.134 cadastros e 7.242 usuários ativos.
A análise financeira revelou que o grupo movimentou mais de R$ 450 mil, sem origem lícita comprovada, entre dezembro de 2024 e março de 2025.
Com base na contabilidade apreendida, a PCDF estima que a organização tinha potencial para arrecadar mais de R$ 1 milhão por mês.
Os recursos eram recebidos em criptomoedas, passavam por contas de terceiros e eram utilizados na aquisição de bens registrados em nome de familiares.
As investigações também apontam que a organização conseguia retomar as atividades poucas horas após operações policiais.
Conforme informado pela PCDF, os criminosos migravam rapidamente a plataforma para novos servidores, substituíam integrantes presos e recriavam o sistema praticamente idêntico ao anterior para manter a comercialização dos dados.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2 milhões em ativos financeiros e criptoativos dos investigados.
Eles poderão responder pelos crimes de invasão qualificada de dispositivo informático, receptação qualificada, organização criminosa e lavagem de dinheiro.





