
Mirelle PinheiroColunas

Corretora temia síndico na véspera de morrer, revela polícia
A informação foi confirmada pela Polícia Civil durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (28/1)
atualizado
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A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, demonstrava medo do síndico do prédio onde morava na véspera do desaparecimento.
A informação foi confirmada pela Polícia Civil durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (28/1), quando os investigadores detalharam o caminho que levou à confissão do crime e à localização do corpo, encontrado em estado de ossada em uma área de mata de Caldas Novas, no sul de Goiás.
Segundo os delegados responsáveis pelo caso, Daiane relatou a pessoas próximas que o padrão de energia do apartamento havia sido desligado novamente, prática que, de acordo com testemunhas e moradores, já havia ocorrido em outras ocasiões e era atribuída ao síndico Cléber Rosa de Oliveira, preso por homicídio nesta quarta-feira.
Na noite de 17 de dezembro, às 18h56, Daiane gravou um vídeo mostrando que a falta de energia atingia apenas o apartamento dela, enquanto o restante do condomínio permanecia com luz.
O vídeo foi enviado a uma amiga. Dois minutos depois, às 18h58, ela voltou a descer ao subsolo, novamente filmando o trajeto. Um terceiro vídeo chegou a ser gravado, mas nunca foi enviado. Esse foi o último registro da corretora com vida.
Oito minutos decisivos
A investigação enfrentou dificuldades logo no início. Não havia imagens que mostrassem Daiane deixando o prédio, tampouco registros claros de saída de um possível autor.
Ainda assim, os policiais decidiram tratar o caso como homicídio, mesmo sem corpo localizado.
“Foram feitas diligências incansáveis. Trabalhamos inclusive com a hipótese de desaparecimento voluntário”, explicou um dos investigadores.
Ao todo, 32 pessoas foram ouvidas. A análise minuciosa do fluxo dos elevadores revelou um dado importante. Daiane desaparece exatamente às 19h, e a primeira pessoa a surgir nas imagens do subsolo só aparece às 19h08. Nenhum outro morador acessou o local nesse intervalo.
Para os investigadores, o crime exigiria alguém com pleno acesso ao prédio, conhecimento da rotina e controle sobre o sistema de câmeras e o quadro de energia.
Energia desligada como método
Durante a coletiva, a Polícia Civil afirmou que desligar o fornecimento de energia fazia parte do modus operandi do síndico. Moradores relataram que ele já havia cortado a energia em outras situações, inclusive durante uma assembleia virtual para eleição de síndico.
Na noite do crime, a polícia apurou que o quadro de energia foi desligado, atraindo Daiane até o subsolo. Quando ela saiu do elevador, Cléber já estava no local. O atrito entre os dois ocorreu ali. “Tudo aconteceu naquele momento”, resumiu um dos delegados.
O caminho até o corpo
Imagens de câmeras externas mostraram Cléber deixando o condomínio com a capota da picape fechada e retornando cerca de 48 minutos depois, já com a capota aberta. O trajeto levou os investigadores até uma estrada rural conhecida por ele, a cerca de 15km de Caldas Novas.
Após ser confrontado com as provas, Cléber entrou em estado colaborativo e se ofereceu para indicar onde havia deixado o corpo. Ele conduziu a equipe até uma vala por onde escoava água. Ali, os policiais localizaram os restos mortais da corretora.
Segundo a Polícia Civil, o síndico conhecia bem a região.
Participação do filho
O filho de Cléber, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso. A investigação aponta que ele pode ter auxiliado na ocultação de provas. No mesmo dia do desaparecimento, Maykon comprou um celular novo, que, segundo os investigadores, pode ter sido entregue ao pai para dificultar o rastreamento de comunicações.
A polícia também realizou perícia no veículo utilizado para o transporte do corpo e no local do desaparecimento.
“Sem corpo, a família vive um luto eterno”
Durante a coletiva, a Polícia Civil destacou o impacto humano do caso.
“Quando há um homicídio sem localização do corpo, a família vive um luto eterno. Resolver esse crime foi também uma forma de encerrar essa dor”, afirmou um dos delegados.
Cléber foi preso na madrugada desta quarta-feira (28), após confessar o crime. Ele afirmou que matou Daiane após uma discussão no subsolo e que agiu sozinho. A versão inicial, no entanto, contradiz depoimentos anteriores e imagens já analisadas.
O porteiro do prédio foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos. A polícia segue apurando o grau de participação de cada envolvido.










