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Mirelle Pinheiro

Como o TCP transformou o Baile da Disney em uma máquina de dinheiro

Segundo os investigadores, o baile funciona como uma espécie de shopping clandestino a céu aberto

Mirelle Pinheiro11/06/2026 09:41
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Reprodução
Como o TCP transformou o Baile da Disney em uma máquina de dinheiro

Quem passa pelo Baile da Disney, no Rio de Janeiro, pela primeira vez pode ter a impressão de estar diante de uma grande festa popular. Personagens infantis, luzes, efeitos especiais, artistas convidados e milhares de pessoas ocupando as ruas da Vila do João fazem parte do cenário que transformou o evento em um dos mais conhecidos do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio.

Mas, para a Polícia Civil, o baile cumpre uma função muito maior do que a de entretenimento. As investigações da Operação Trinus apontam que o evento se tornou uma das principais engrenagens econômicas do Terceiro Comando Puro (TCP), servindo para movimentar dinheiro, vender drogas, escoar produtos roubados e reforçar o poder da facção dentro da comunidade.

Segundo os investigadores, o baile funciona como uma espécie de shopping clandestino a céu aberto. Mercadorias provenientes de roubos de carga, celulares furtados e outros produtos de origem criminosa acabam sendo comercializados durante o evento, aproveitando o grande fluxo de pessoas.

A estrutura montada para a festa também gera arrecadação com a venda de bebidas, alimentos e espaços controlados exclusivamente pela organização criminosa. Todo esse dinheiro, de acordo com a polícia, ajuda a financiar outras atividades do grupo.

O nome “Baile da Disney” surgiu por causa da decoração inspirada em personagens como Mickey Mouse, Minnie, Pateta e outros ícones infantis. Com o passar dos anos, o evento ganhou fama nas redes sociais e passou a atrair frequentadores de diversas regiões da cidade.

Por trás do espetáculo visual, porém, a polícia afirma que existe uma estratégia de fortalecimento da influência da facção. Além da arrecadação financeira, os bailes serviriam para demonstrar domínio territorial e projetar uma imagem de poder dentro das áreas controladas pelo TCP.

Vídeos analisados pelos investigadores mostram traficantes circulando armados em meio ao público, muitas vezes exibindo fuzis durante carreatas e apresentações musicais.

As apurações indicam ainda que a Maré se transformou em uma importante base logística para diversas atividades criminosas. A proximidade com vias expressas como Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela facilita o transporte de cargas roubadas e a movimentação de integrantes da facção pela cidade.

Segundo a Polícia Civil, parte dos produtos roubados em ações realizadas nessas vias acaba chegando às comunidades dominadas pelo TCP. Em muitos casos, os materiais são armazenados, revendidos ou utilizados para abastecer o comércio ilegal que gira em torno dos bailes.

Durante a Operação Trinus, os agentes encontraram depósitos com mercadorias roubadas, lojas que vendiam celulares de origem suspeita e cigarros eletrônicos contrabandeados. Também foram apreendidos fuzis, granadas, veículos roubados, estufas de maconha, um laboratório de cocaína e até uma estrutura destinada à mineração de criptomoedas.