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Mirelle Pinheiro

Como funcionava o banco clandestino usado pelo PCC para lavar dinheiro

O PCC utilizava operadores especializados que transformavam grandes quantias em espécie em transferências bancárias

21/07/2026 07:19, atualizado 21/07/2026 08:08
Reprodução
Como funcionava o banco clandestino usado pelo PCC para lavar dinheiro

A investigação que deu origem à Operação Janus apontou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) contava com estrutura financeira para ocultar a origem de dinheiro obtido com atividades criminosas. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a organização utilizava operadores especializados que transformavam grandes quantias em espécie em transferências bancárias, permitindo que os recursos circulassem no sistema financeiro sem levantar suspeitas.

A operação, deflagrada nesta terça-feira (21/7) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mira justamente esse núcleo financeiro. Para os investigadores, os suspeitos atuavam como uma espécie de “banco clandestino”, prestando serviços de movimentação de dinheiro para integrantes da facção e outros criminosos.

De acordo com a apuração, o funcionamento do esquema era relativamente simples. Integrantes do PCC entregavam dinheiro em espécie aos operadores financeiros, que, em troca, faziam depósitos, TEDs, PIX e outras transferências eletrônicas utilizando contas bancárias de empresas de fachada e de terceiros. Assim, quem recebia os valores tinha a impressão de que o dinheiro possuía origem regular, quando, na realidade, vinha de atividades criminosas.

Os investigadores identificaram que os operadores cobravam comissão para realizar o serviço. O modelo permitia que integrantes da facção movimentassem grandes quantias sem precisar transportar dinheiro vivo ou utilizar contas bancárias vinculadas diretamente aos seus nomes.

Um dos investigados apontados como responsável por esse sistema é Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu. As diligências indicam ainda que um dos principais usuários dessa estrutura era Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moja ou Léo do Moinho, apontado como liderança do PCC e responsável pelo tráfico na Favela do Moinho, na região central de São Paulo.

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Além da lavagem de dinheiro, o Ministério Público afirma que os operadores financeiros participavam de reuniões envolvendo conflitos patrimoniais submetidos ao chamado “tribunal do crime” da facção. Um dos casos investigados envolve disputa por imóveis de luxo na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, em que integrantes do PCC teriam atuado como intermediadores.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas e bens de cada investigado, além do sequestro de imóveis, veículos e ativos financeiros ligados aos suspeitos.