Mirelle Pinheiro

Como delegado assassinado desvendou pista que levou Marcola à prisão

No fim da década de 1990, Marcola, apelidado de “Playboy”, devido ao gosto por roupas e carros de luxo, era procurado por assaltos a bancos

atualizado

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Arte/Metrópoles
Marcola, chefe do PCC
1 de 1 Marcola, chefe do PCC - Foto: Arte/Metrópoles

O delegado aposentado Ruy Ferraz Fontes, executado a tiros de fuzil na última segunda-feira (15/9), no litoral paulista, foi o responsável por uma das prisões mais emblemáticas da história do crime organizado no Brasil: a de Marcos Willians Herbas Camacho (foto em destaque), o Marcola, hoje considerado o líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC).

No fim da década de 1990, Marcola, então conhecido pelo apelido de “Playboy” devido ao gosto por roupas de grife e carros de luxo, era procurado por assaltos a banco.

Ele comandou o ataque milionário à Transprev, empresa de transporte de valores no Jaguaré, em São Paulo, em 1998. O crime, arquitetado com hierarquia e disciplina, rendeu R$ 15 milhões sem que um disparo fosse feito.

A quadrilha sequestrou familiares de funcionários e limpou cuidadosamente o apartamento usado como cativeiro. Mas deixou escapar um detalhe: um recibo de conserto de óculos de sol, esquecido no lixo.

Ruy Ferraz e o delegado Alberto Pereira Matheus cruzaram o documento com dados de cadastro da loja e chegaram ao número de um Bipe (sistema de comunicação da época) vinculado a Marcos Camacho. Essa pista foi decisiva para associá-lo ao crime.

Após fugir para o Nordeste e o Paraguai, Marcola voltou a São Paulo no ano seguinte. Investigadores do Deic rastrearam sua mais nova ostentação: um Chrysler Stratus. O veículo foi interceptado na Marginal Tietê, e Marcola, embora tenha apresentado documentos falsos e alegado ser fazendeiro, acabou confessando sua verdadeira identidade ao ser levado para a sede da Polícia Civil.

Preso desde então, Marcola se filiou ao PCC já dentro do sistema prisional e, nos anos seguintes, ascendeu até o topo da facção.

Segundo o procurador Márcio Sérgio Christino, que trabalhou ao lado de Ruy e narra os bastidores em Laços de Sangue — a História Secreta do PCC, a prisão marcou o início da trajetória que tornaria o delegado um dos principais inimigos da facção.

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