Mirelle Pinheiro

Caso da mala: entenda o que a investigação já revelou até agora

Segundo a investigação, ele teria matado Brasília no início de agosto e espalhado partes do corpo pela cidade, inclusive dentro de uma mala

atualizado

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Reprodução/Redes sociais
Ricardo Jardim e Brasília Costa
1 de 1 Ricardo Jardim e Brasília Costa - Foto: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou, nessa segunda-feira (8/9), que a mulher assassinada e esquartejada em Porto Alegre é Brasília Costa, 65 anos, manicure, moradora da Zona Norte da capital.

O principal suspeito é o publicitário Ricardo Jardim, 65, namorado da vítima, preso preventivamente na sexta (5). Segundo a investigação, ele teria matado Brasília no início de agosto e espalhado partes do corpo pela cidade, inclusive dentro de uma mala deixada no guarda-volumes da rodoviária.

O caso começou a se desenhar quando, em 13 de agosto, o tronco da vítima foi achado dentro de uma mala na rodoviária.

Dias depois, membros foram localizados em sacolas no bairro Santo Antônio. Em 6 de setembro, uma perna apareceu na orla da Praia de Ipanema, na Zona Sul.

A cabeça segue desaparecida, e a polícia trabalha para recuperar o segmento e fechar o laudo de causa da morte.

Ricardo, descrevido pela Polícia Civil como “frio” e de “alta capacidade criminosa”, já tinha passagem por um crime brutal: em 2015, matou a própria mãe e ocultou o corpo em concreto; foi condenado a 28 anos em 2018, progrediu ao semiaberto em 2024 e tornou-se foragido após descumprir condições. Agora, volta ao sistema prisional como suspeito do feminicídio de Brasília.

O que já está confirmado

Vítima: Brasília Costa, 65, manicure; natural de Arroio Grande, criada em Jaguarão, vivia em Porto Alegre.
Suspeito preso: Ricardo Jardim, 66, publicitário e namorado da vítima; condenado em 2018 por matar a mãe; progrediu ao semiaberto em 2024 e estava foragido; foi preso em 5/9.
Achados: tronco em mala na rodoviária (13/8); membros em sacolas no bairro Santo Antônio (dias depois); perna na Praia de Ipanema (6/9).
Indícios: uso do celular e cartões da vítima após a morte; mensagens foram enviadas a familiares para simular que ela estava viva e viajando.
Identificação: perícia do IGP confirmou que os segmentos pertencem a uma única pessoa; DNA de material masculino nos nós dos sacos coincidiu com perfil de condenado, base para pedir a prisão.
Linha principal: motivação financeira.

De acordo com o diretor do Departamento de Homicídios, delegado Mario Souza, as datas e locais de descarte indicam planejamento. A mala foi deixada na rodoviária e os demais segmentos apareceram em áreas distintas da cidade, o que, para a polícia, sugere tentativa de retardar a identificação. “Este homem não pode estar em condições de convívio social. Ele tem altíssima capacidade criminosa”, afirmou o delegado.

A investigação também apura o período e as circunstâncias do assassinato e se houve coautores. Peritos analisam celulares e computador apreendidos com o suspeito. Em mensagens enviadas a parentes, Brasília teria sido “vista” em viagem ao Nordeste; a polícia suspeita que Ricardo escreveu no lugar dela para manter a ilusão de que estava viva e, assim, seguir movimentando valores.

Enquanto busca a cabeça da vítima, crucial para fechar o laudo de causa mortis, a Polícia Civil cruza movimentações financeiras, registros de câmeras e dados digitais para consolidar a materialidade e autoria. O caso, no momento, está enquadrado como feminicídio.

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