Mirelle Pinheiro

Brasileiro preso por terrorismo já integrava rede jihadista desde 2024

À época, a PF chegou até ele depois de uma investigação extensa culminar na prisão de seu recrutador

atualizado

metropoles.com

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Estado Islamico
1 de 1 Estado Islamico - Foto: Reprodução

A coluna apurou, com exclusividade, que o homem preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (29/1), por atos preparatórios de terrorismo e por integrar organização terrorista internacional, já havia sido alvo da PF pelo mesmo motivo em 2024, quando ainda era menor de idade.

A investigação contou com o apoio do FBI e foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Bauru (SP), local onde foram cumpridos mandados de prisão temporária, de busca pessoal e domiciliar, além de medidas de acesso imediato a dados eletrônicos e de quebra de sigilo telemático.

Ainda não há informações sobre o local nem a data exata em que o ataque seria realizado, mas os investigadores acreditam que ele ocorreria durante algum evento público, com grande aglomeração de pessoas, no estado de São Paulo.

Fabricação de explosivos e conteúdos extremistas

O homem passou a ser alvo da operação após seu recrutador, identificado como Thiago José Silva Barbosa de Paula, entrar no radar das autoridades em outubro de 2024. Na ocasião, o FBI informou à PF que um usuário brasileiro participava ativamente de grupos de propaganda do Estado Islâmico (ISIS), além de disseminar manuais de fabricação de explosivos, táticas de guerrilha e conteúdos extremistas.

Em 12 de dezembro de 2024, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Thiago. O imóvel estava trancado, e a equipe obteve a chave diretamente com o próprio investigado, que já se encontrava preso pela Polícia Militar.

No local, foram apreendidos:

• Bandeira preta associada ao Estado Islâmico/Boko Haram.

• Juramento de lealdade ao Califado (Bay’ah).

• Três exemplares do Alcorão com marcações na Surata 8:60.

• Vídeos e arquivos com conteúdo extremista e instruções de combate.

• Coquetéis molotov prontos para uso.

• Produtos químicos, todos com potencial para a síntese de explosivos, segundo laudos periciais.

• simulacro de arma (airsoft), facas e facão.

• tubos de CO₂, reagentes e materiais laboratoriais.

À época, a investigação apontou que Thiago era administrador de um canal no qual defendia abertamente a ideologia do Estado Islâmico, disseminava materiais extremistas e afirmava ter como objetivo “recrutar e treinar operadores do Estado Islâmico em solo brasileiro”.

Além disso, relatórios da USP São Carlos registraram tentativas de cooptação de alunos para a construção de bombas, o envio de vídeos de atentados e instruções para fabricação de explosivos, além de reuniões monitoradas no campus e o registro de uma imagem suspeita deixada em um computador público, contendo desenhos de um tanque, fuzil, mina/bomba e submarino.

Thiago foi condenado a 11 anos de prisão por integração de organização terrorista e atos preparatórios de terrorismo

A operação

De acordo com as apurações, o investigado encontrava-se em atos preparatórios para a montagem de um colete com explosivos, destinado à prática de um atentado terrorista suicida em território nacional.

As investigações seguem em andamento com o objetivo de aprofundar a apuração dos fatos e prevenir a ocorrência de atos que atentem contra a segurança pública e a ordem social.

Não há indicios de que o Estado Islâmico esteja patrocinando os possíveis ataques arquitetados pelos brasileiros.

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