
Mirelle PinheiroColunas

“Aviãozinho”: quem são PMs presos em esquema que roubava droga do CV
As investigações apontam que os PMs atuavam não apenas na proteção do esquema, mas também diretamente na logística do tráfico
atualizado
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A Operação Abadon, deflagrada pela Polícia Federal e pela Polícia Civil do Amapá, mostrou a participação direta de agentes de segurança pública em um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com atuação em diversos estados do país.
A coluna apurou que entre os presos estão os policiais militares Fernando Henrique da Silva Albernaz e José das Graças Peres Monteiro, apontados como integrantes da organização criminosa que abastecia a Família do Terror do Amapá (FTA). O grupo era liderado pelo guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia, considerado foragido.
Fernando Henrique da Silva Albernaz (à esquerda) aparece como um dos investigados com atuação ligada ao núcleo operacional do esquema. Contra ele, a Justiça autorizou mandados de busca de prisão e apreensão, inclusive em endereços no Pará, como parte das diligências da operação. Ele já havia sido preso em fase anterior.
Já José das Graças Peres Monteiro (à direita) teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Amapá, com base em indícios de participação em organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a decisão judicial, há elementos que indicam a necessidade da prisão para garantir a ordem pública e evitar a continuidade das atividades criminosas.
Acusações
Os dois policiais são investigados por tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
As investigações apontam que agentes públicos atuavam não apenas na proteção do esquema, mas também diretamente na logística do tráfico.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que policiais militares e guardas municipais atuavam como “aviõezinhos do tráfico”, transportando drogas e auxiliando na distribuição.
O grupo também é suspeito de se apropriar de entorpecentes de facções rivais, como o Comando Vermelho (CV), para revenda dentro da própria estrutura criminosa.
A operação cumpre mais de 100 mandados judiciais em seis estados e investiga uma organização com forte atuação no Norte do país, especialmente no eixo entre Pará e Amapá.
