Mirelle Pinheiro

Quem é o guarda, chefe de facção e PMs, que movimentou R$ 40 milhões

De acordo com os investigadores, Pedro não apenas participava do esquema, mas ocupava posição de liderança dentro da organização criminosa

atualizado

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Arte/Metrópoles
guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia
1 de 1 guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia - Foto: Arte/Metrópoles

Apontado pela Polícia Federal (PF) como líder de um esquema que envolve policiais militares e guardas municipais no tráfico de drogas, o guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia (foto em destaque) está foragido e é considerado o alvo principal na investigação que mira a atuação da facção Família do Terror do Amapá (FTA).

O caso é investigado pela Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Amapá em conjunto com a PF.

Segundo a apuração da coluna, Pedro deixou a própria casa pouco antes do cumprimento dos mandados da Operação Abadon, deflagrada nesta terça-feira (31/3). A polícia investiga se houve vazamento da ação.

De acordo com os investigadores, Pedro não apenas participava do esquema, mas ocupava posição de liderança dentro da organização criminosa.

Ele teria movimentado cerca de R$ 40 milhões em contas bancárias ao longo de três anos, utilizando familiares e terceiros como “laranjas” para ocultar a origem dos valores.

Um desses operadores financeiros ligados ao grupo chegou a movimentar aproximadamente R$ 5 milhões.

PMs e guardas no esquema

A investigação aponta que o grupo contava com a participação direta de policiais militares e guardas municipais, que atuavam tanto no tráfico quanto na lavagem de dinheiro.

Em alguns casos, segundo a PF, esses agentes funcionavam como “aviãozinhos” do tráfico, transportando drogas entre estados.

Há ainda indícios de que integrantes das forças de segurança se apropriavam de cargas de drogas de facções rivais, como o Comando Vermelho, para revendê-las dentro do próprio esquema.

Logística

O núcleo liderado por Pedro operava principalmente a partir do Pará, com envio de maconha e cocaína para o Amapá e outras regiões.

A droga era transportada em balsas e escondida em cargas como sucatas e eletrodomésticos, incluindo airfryers, para dificultar a fiscalização.

O grupo também é investigado por envolvimento em crimes violentos.

Em um assalto a embarcação ocorrido em 2021, no Pará, Pedro chegou a aparecer fardado e dar entrevista sobre o caso. Segundo a investigação, um dos criminosos entrou em contato com ele após a ação, e o guarda teria afirmado que conseguiu “burlar o sistema”.

Em outra frente, a polícia apura a morte de um homem que denunciou um integrante ligado ao esquema.

Operação

A Operação Abadon cumpre 118 mandados judiciais em seis estados. Até o momento, dois policiais militares e outros investigados foram presos. A polícia segue em busca de Pedro, considerado foragido.

Em um dos endereços ligados a ele, foram apreendidos uma BMW e cerca de R$ 30 mil em dinheiro.

As apurações começaram em 2023, após a prisão de um integrante da facção no Pará, que estava na casa de um policial militar.

A partir desse ponto, a PF conseguiu mapear a estrutura da organização, que envolvia agentes públicos, lavagem de dinheiro e tráfico interestadual de drogas.

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