
Mirelle PinheiroColunas

Guarda que lidera tropa da PMs no tráfico disse que “burlou o sistema”. Veja vídeo
O guarda é considerado foragido e apontado como um dos principais articuladores de uma organização criminosa ligada à facção FTA
atualizado
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Um áudio atribuído ao guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia (foto em destaque), apontado pela Polícia Federal (PF) como líder de um esquema de tráfico de drogas envolvendo policiais militares, ajuda a materializar a participação do servidor no crime organizado. O caso é investigado pela Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Amapá em conjunto com a PF.
Na gravação, obtida pela coluna, Pedro afirma ter conseguido “burlar o sistema” após um assalto a embarcação ocorrido em 2021, no Pará.
Segundo a investigação, o episódio teria ligação com o grupo criminoso. Na ocasião, Pedro chegou a aparecer fardado e conceder entrevista sobre o crime. Após a repercussão, um dos envolvidos no assalto teria entrado em contato com ele.
Liderança no esquema
Pedro é considerado foragido e apontado como um dos principais articuladores de uma organização criminosa ligada à facção Família do Terror do Amapá (FTA).
De acordo com a Polícia Federal, ele teria ascendido dentro do grupo e passado a ocupar posição de comando, coordenando tanto o tráfico quanto a lavagem de dinheiro.
A investigação indica que o guarda movimentou cerca de R$ 40 milhões em um período de três anos.
Policiais no tráfico
O esquema, segundo a PF, envolve ao menos 40 policiais militares e guardas municipais no Pará.
Além de atuar na lavagem de dinheiro, parte dos agentes públicos também participaria diretamente do tráfico, inclusive no transporte de drogas entre estados.
Há indícios de que integrantes do grupo se apropriavam de cargas de entorpecentes de facções rivais, como o Comando Vermelho, para revendê-las dentro da própria estrutura criminosa.
As investigações apontam que a droga saía do Pará com destino ao Amapá, principalmente por meio de balsas.
Para evitar fiscalização, os entorpecentes eram escondidos em cargas diversas, como sucatas e eletrodomésticos.
Operação Abadon
A apuração faz parte da Operação Abadon, que cumpre 118 mandados judiciais em seis estados.
Até o momento, policiais militares e outros suspeitos já foram presos. Pedro segue foragido.
A Polícia Federal investiga se houve vazamento de informações que permitiu a fuga do suspeito antes do cumprimento das ordens judiciais.
