Associação usada em fraude na folha do GDF cresceu 48.000% em 2 anos
O MPDFT sustenta que a ASDF atuou como peça central nos descontos indevidos. Uma operação contra a fraude foi deflagrada nesta sexta (19/6)

A arrecadação da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) cresceu cerca de 48 mil% em menos de dois anos, segundo dados obtidos pela coluna na decisão que autorizou a Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19/6) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) aponta a entidade como uma das peças centrais do esquema de descontos irregulares em folhas de pagamento de servidores do DF
Informações levantadas pela Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) identificaram um crescimento exponencial entre 2023 e agosto de 2025. A evolução é considerada pelos investigadores incompatível com a estrutura operacional da entidade. Para eles, a expansão acelerada levanta suspeitas sobre a real finalidade da ASDF.
Conforme aponta o MP em documentos enviados à Justiça, a sede da associação funciona em um espaço de coworking, não possui rede credenciada própria nem corpo técnico compatível com o volume de recursos movimentados.
Além disso, a apuração identificou inúmeras contestações formais de servidores que afirmam não possuir vínculo associativo com a entidade ou nunca terem autorizado descontos em folhas de pagamento.
Diante desses elementos, o Ministério Público afirma haver fortes indícios de que a associação atuaria como uma entidade de fachada, sem finalidade associativa efetiva.
A suspeita é de que a estrutura tenha sido utilizada para viabilizar empréstimos consignados registrados sob códigos de desconto de “plano de saúde”, em muitos casos sem a autorização dos próprios servidores.
A operação
Nesta sexta (19), estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão, por determinação do Conselho Especial do TJDFT, no Distrito Federal, em Curitiba (PR) e em São Paulo.
Entre os alvos da operação estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) e o banco PicPay.
As medidas também atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre eles estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está preso.
A operação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).














