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Mirelle Pinheiro

MP vê elo entre fraude no DF e escândalo dos descontos do INSS

Os investigadores afirmam que a prática “teve origem no Distrito Federal e posterior efeito paralelo na esfera federal”

19/06/2026 09:00, atualizado 19/06/2026 10:08
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Viatura da Gaeco no BRB durante a Operação Juros Zero, do MPDFT, investiga esquema de fraude em folha de pagamento de servidores

A decisão que embasou a Operação Juros Zero, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na manha desta sexta-feira (19/6), aponta que o modelo investigado no Distrito Federal teria ultrapassado as fronteiras locais e servido de base para uma estrutura semelhante adotada posteriormente em um programa federal ligado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o documento obtido pela coluna, os investigadores afirmam que a prática “teve origem no Distrito Federal e posterior efeito paralelo na esfera federal”, em referência ao programa Meu INSS Vale+, operado pela PicPay e estruturado, segundo o MP, sob o mesmo modelo jurídico-financeiro utilizado no DF.

A Operação Juros Zero apura a existência de um esquema que teria transformado a folha de pagamento dos servidores distritais em uma fonte de ganhos ilegais.

De acordo com o Ministério Público, a estrutura envolvia a criação de mecanismos normativos, descontos em folha, cobrança de juros disfarçados de taxas e falhas deliberadas na fiscalização.

Em nota, a Secretaria de Economia do DF confirmou as buscas na sede da Pasta e disse que está colaborando com as investigações. O PicPay nega qualquer irregularidade. Os demais alvos ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.

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Entre os alvos da operação estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e associações ligadas ao caso
A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
As medidas também atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre eles estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está preso
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19/6), a Operação Juros Zero para investigar suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal
A Operação Juros Zero investiga um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal
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A Operação Juros Zero investiga um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal

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Entre os alvos da operação estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e associações ligadas ao caso
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Entre os alvos da operação estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e associações ligadas ao caso

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A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
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A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)

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As medidas também atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre eles estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está preso
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As medidas também atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre eles estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está preso

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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19/6), a Operação Juros Zero para investigar suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19/6), a Operação Juros Zero para investigar suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Os promotores sustentam que a engrenagem começou a ser construída ainda em 2020 e ganhou força em 2024, quando um decreto do Governo do Distrito Federal criou uma modalidade de desconto para operações classificadas como “sem cobrança de juros”.

Na prática, porém, o MP afirma que a chamada “taxa de antecipação” cobrada dos servidores tinha natureza econômica equivalente a juros.

Na decisão, o MPDFT destaca que o mesmo formato teria sido reproduzido na esfera federal, em uma estrutura semelhante vinculada ao programa Meu INSS Vale+, também operado pela PicPay.

O documento cita ainda que o diretor da empresa Eduardo Chedid Simões já havia sido indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS em investigação sobre esquema semelhante de retenções indevidas contra beneficiários federais.

A Juros Zero cumpriu 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Paraná.

Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços, a Secretaria de Economia do DF, o Iprev-DF, a PicPay e atuais e ex-dirigentes, como o ex-secretário de Economia Ney Ferraz Júnior e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso desde abril no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

A investigação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, inserção de dados falsos em sistemas públicos, crimes contra a economia popular e publicidade enganosa.

O outro lado

Sobre a operação desta sexta, a Secretaria de Economia destacou, em nota, que o MP, com o apoio da Polícia Civil do DF (PCDF), fez busca e apreensão relacionada a equipamentos utilizados por alguns servidores da Pasta no âmbito de investigação que apura fatos relacionados a acordos para concessão de empréstimos consignados firmados em período anterior. “A Secretaria esclarece que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta”.

Destacou ainda que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, garantindo pleno acesso às instalações e prestando todo o apoio necessário para o cumprimento das diligências e a coleta dos materiais solicitados.

Em nota, o PicPay diz que não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Além disso, ressalta que “seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão”.

Acrescenta que o valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade. A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.