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Mirelle Pinheiro

Às vésperas de jogo, MP pede suspensão de torcida organizada do Gama

Torcida é acusada de descumprir acordo após confronto com torcedores do América-RN. Defesa afirma que punição deve ser individual

14/08/2026 16:04, atualizado 14/08/2026 16:05
Rafaela Felicciano/Metrópoles
MPDFT - Metrópoles

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu à Justiça a suspensão da atuação organizada da Torcida Ira Jovem do Gama durante a partida entre Gama e São José-RS marcada para este domingo (16/8), no Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão. A medida, obtida pela coluna, é consequência de um suposto descumprimento de acordo judicial firmado anteriormente pela torcida.

Entre as restrições solicitadas estão a proibição de ingresso ou permanência coletiva no estádio, além do uso de faixas, bandeiras, instrumentos, uniformes, símbolos e outros elementos de identificação da torcida.

O MP também pediu que sejam proibidas concentrações, deslocamentos e reuniões coletivas organizadas no estádio ou no entorno.

O pedido foi apresentado em 13 de agosto, na 9ª Vara Cível de Brasília. Segundo o MPDFT, integrantes da Ira Jovem se envolveram em um episódio de violência durante a partida entre Gama e América-RN, no dia 26 de julho, pelas oitavas de final do Campeonato Brasileiro da Série D.

De acordo com os documentos, torcedores da sociedade esportiva, especialmente integrantes da organizada, contornaram a parte posterior da arquibancada Leste para chegar à área localizada atrás da arquibancada Norte, onde estava a torcida visitante.

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Na ocasião, o espaço entre as arquibancadas era isolado por tapumes, portões e grades de proteção para impedir o acesso e separar as torcidas.

Ainda segundo o órgão, integrantes da Ira Jovem teriam derrubado e atravessado as barreiras, entrado na área restrita e avançado em direção aos torcedores do time adversário.

O episódio teria provocado um confronto, com ao menos uma pessoa ferida no ombro. A Polícia Militar teria informado que o torcedor foi levado a um hospital do Distrito Federal e liberado após atendimento.

O MP afirma que foi necessária a intervenção das forças de segurança, com uso de bombas de efeito moral e gás para dispersar a multidão. O tumulto também teria atrasado a saída do público e comprometido a operação de segurança.

Um relatório da Secretaria de Segurança Pública ainda apontou danos a portões e estruturas do estádio.

Acordo

Recentemente, um acordo judicial já havia sido firmado entre o MPDFT e a torcida. Segundo o órgão, caso seus membros ou associados se envolvessem, no período de cinco anos, em atos de violência, tumultos ou outras condutas relacionadas à violência no futebol, os benefícios previstos seriam automaticamente revogados.

Neste contexto, o MP pediu multa de R$ 50 mil por ato de descumprimento.

O acordo também prevê, segundo o órgão, a possibilidade de retomada da ação civil pública e de afastamento da torcida de eventos esportivos e das proximidades pelo prazo mínimo de cinco anos.

Com base nisso, o ministério sustenta que os fatos ocorridos em julho são compatíveis com a hipótese de descumprimento prevista no acordo. Por isso, pede que a Justiça reconheça a ação e determine a resolução ou revogação parcial da medida exclusivamente em relação à Ira Jovem.

Medida

Em manifestação apresentada nesta sexta-feira (14/8), a defesa da torcida pediu o indeferimento da liminar. Os advogados argumentam que os responsáveis pelos atos devem ser identificados individualmente, e não toda a torcida punida coletivamente.

Segundo a defesa, a medida atingiria crianças, famílias, idosos, mulheres, trabalhadores e estudantes que integram a torcida e que, de acordo com o documento, não teriam participado dos incidentes de 26 de julho.

Também destacam que o jogo contra o São José-RS ocorrerá sem torcida visitante e, por isso, não haveria o mesmo risco de confronto registrado contra o América-RN.

Em esclarecimento apresentado à Justiça, o MPDFT ressaltou que o pedido de suspensão é exclusivo contra a Ira Jovem, sem atingir outras torcidas ou os demais réus do processo.

Até a publicação desta reportagem, a Justiça do DF ainda não havia analisado o pedido feito pelo Ministério Público.