
Mirelle PinheiroColunas

Após ultimato do MP, delegado posta caçada a “anjo caído” do PCC. Veja vídeo
Publicação foi feita um dia após a recomendação do Ministério Público do Piauí, publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça (2/6)
atualizado
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Após o Ministério Público do Piauí (MPPI) recomendar que o delegado da Polícia Civil do Piauí (PCPI) Charles Pessoa interrompa a divulgação de conteúdos relacionados a presos nas redes sociais, ele voltou a publicar um vídeo sobre uma operação policial. A gravação foi divulgada nesta quarta-feira (3/6).
No vídeo, Charles Pessoa afirma que equipes da segurança pública estavam mobilizadas desde a madrugada na zona rural de Altos (PI) para cumprir a prisão de um foragido apontado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Mais um dia normal para a segurança pública do Piauí. Estamos acordados desde 3 horas da manhã. São 12h30. Nós estamos desde 6 horas da manhã em diligências nessa região de Matos, zona rural de Altos (PI), para efetuar a prisão de um membro do PCC, um ‘anjo caído’. Esse criminoso, que é investigado, fez questão de tatuar os próprios símbolos do PCC no peito e fez desenhos da facção criminosa no cabelo”, disse.
Na sequência, o delegado informou que imagens do suspeito seriam divulgadas para auxiliar nas buscas.
“Nós vamos divulgar a foto desse criminoso neste momento para que a sociedade possa nos ajudar encaminhando as informações para que a gente consiga efetuar a prisão desse criminoso foragido da Justiça”, acrescentou.
A publicação ocorre um dia após o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), do MPPI, expedir recomendação orientando o delegado a interromper imediatamente a publicação, republicação ou estímulo à divulgação de conteúdos envolvendo pessoas presas, investigadas, custodiadas ou submetidas a abordagens policiais em redes sociais próprias ou de terceiros.
O documento, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE-PI) de terça-feira (2/6), também recomenda que Charles Pessoa deixe de divulgar conteúdos que possam expor pessoas a constrangimento ou humilhação, bem como interrogatórios, confissões, declarações potencialmente autoincriminatórias e informações que antecipem conclusões sobre investigações ainda em andamento.
O MP também orientou que o delegado se abstenha de divulgar informações consideradas sensíveis ou capazes de comprometer apurações policiais, além de vedar o uso de símbolos institucionais da Polícia Civil para promoção pessoal. Entre os itens citados, estão fardamentos, armamentos, viaturas, distintivos e demais identificações da corporação.
Também ficou proibida a monetização de conteúdos relacionados à atividade policial e determinada a preservação de arquivos, links, legendas e registros de publicações já realizadas para eventual análise.
Apesar das restrições, o MP esclareceu que a medida não impede a comunicação institucional oficial da Polícia Civil.
Foi concedido o prazo de 20 dias para que Charles Pessoa informe formalmente se acatará a recomendação e quais medidas serão adotadas. O documento prevê que, em caso de descumprimento ou resposta considerada insuficiente, poderão ser adotadas medidas administrativas e judiciais cabíveis.