
Mirelle PinheiroColunas

Advogado diz que estado de saúde de Fuminho, aliado de Marcola, é gravíssimo
Em nota assinada pelo advogado Marcelo Luis Marns da Silva, a defesa afirmou que Fuminho enfrenta uma “batalha crítica”
atualizado
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A defesa de Gilberto Aparecido dos Santos, o “Fuminho”, apontado como um dos principais aliados históricos de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, afirmou nesta segunda-feira (18/5) que o estado de saúde do preso se agravou após atraso no diagnóstico e no tratamento de um câncer no intestino.
Em nota assinada pelo advogado Marcelo Luis Marns da Silva, a defesa afirmou que Fuminho enfrenta uma “batalha crítica contra uma neoplasia maligna” e relatou que a doença pode evoluir para um quadro de metástase irreversível em órgãos vitais e ossos.
Segundo o texto, a cirurgia oncológica realizada no último domingo (17/5), em Brasília, ocorreu após nove meses de espera e atuação judicial da defesa perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
“A demora injustificada do Estado em viabilizar o diagnóstico e o tratamento definitivo agravou severamente o quadro clínico”, afirmou a defesa.
Fuminho passou por procedimento cirúrgico no Hospital Santa Luzia, na Asa Sul, sob um megaesquema de segurança que mobilizou mais de 200 policiais e envolveu forças federais e distritais.
A operação de escolta foi montada por causa da relevância do preso dentro da estrutura criminosa ligada ao PCC. Apesar da cirurgia, a defesa criticou a alta médica concedida ao preso pouco depois da 1h desta segunda-feira.
Segundo o advogado, a equipe médica teria recomendado internação mínima de sete dias para acompanhamento pós-operatório, mas a direção da Penitenciária Federal de Brasília autorizou apenas 24 horas de permanência hospitalar.
A nota afirma que Fuminho retornou ao presídio ainda sob efeito de anestesia, com dores intensas e utilizando cateter. “A recuperação em ambiente prisional não é, em absoluto, o recomendado pela literatura médica”, diz o comunicado.
A defesa também afirmou que a permanência no sistema prisional aumenta drasticamente o risco de infecções graves em razão das condições do ambiente.
Os advogados disseram que pretendem acionar a Corregedoria da Penitenciária Federal de Brasília, o TRF1 e tribunais superiores para tentar garantir o tratamento médico adequado ao cliente.
Mesmo sem integrar oficialmente a chamada “sintonia final” do PCC, Fuminho é considerado pelas autoridades um dos criminosos mais influentes ligados à facção e homem de extrema confiança de Marcola.
Investigadores o apontam há anos como responsável pela estrutura internacional de tráfico de drogas do grupo criminoso, especialmente no envio de cocaína para outros países.
O nome dele também aparece em investigações sobre planos de fuga de lideranças da facção e em apurações relacionadas às mortes de Gegê do Mangue e Paca, integrantes do PCC assassinados em 2018 no Ceará durante disputas internas da organização criminosa.
