
Mirelle PinheiroColunas

Adidas e Majestade: STJ autoriza uso de dados de celular apreendido
Celular apreendido com companheiro de “Majestade” revela possível participação de João Vitor no crime organizado
atualizado
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O Ministério Público do Ceará (MPCE) obteve uma vitória estratégica no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao garantir a quebra de sigilo telefônico de João Vitor dos Santos, conhecido como Adidas, investigado por possível envolvimento com uma organização criminosa que atua no estado. A decisão, assinada pelo ministro Rogério Schietti Cruz, representa um avanço relevante para as investigações e deve impactar diretamente outros processos vinculados ao esquema.
João Vitor teve seu celular apreendido durante o cumprimento de um mandado contra sua companheira, Francisca Valeska Pereira Monteiro, conhecida no mundo do crime como Majestade, em agosto de 2021, na cidade de Gramado (RS). De acordo com os autos, ele tentou impedir a ação policial e destruir o aparelho, o que levantou suspeitas sobre sua participação direta no grupo criminoso.
Inicialmente, o ministro havia negado o pedido de quebra de sigilo, mas reconsiderou sua decisão no fim de maio, reconhecendo a legalidade da apreensão e a relevância dos dados para o aprofundamento das investigações. Com isso, o conteúdo extraído do celular de Adidas poderá ser utilizado não apenas no caso original, mas também em novas linhas investigativas para identificar outros integrantes da facção.
A reviravolta no STJ reforça a posição do MPCE e da Polícia Civil cearense, que vêm utilizando informações de celulares apreendidos para desmantelar redes de tráfico, lavagem de dinheiro e execuções orquestradas a partir de fora do estado. O Núcleo de Recursos Criminais (Nucrim), responsável pelo acompanhamento do caso, obteve outras três decisões favoráveis na Corte durante o mesmo período.
A defesa de João Vitor dos Santos não foi localizada pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
