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Mario Sabino

Será que o PT entendeu mesmo que o PCC é um problema?

Não existe questão mais urgente no Brasil do que o PCC e as demais facções. A operação de ontem deveria servir como o início do bom combate

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Foto preto e banco de homem branco, cabelo curto, camiseta branca e com quatro silhuetas de pessoas atrás dele - Metrópoles
1 de 1 Foto preto e banco de homem branco, cabelo curto, camiseta branca e com quatro silhuetas de pessoas atrás dele - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

O PCC parecia ser apenas problema de periferia em 15 de maio de 2006, quando saí de um restaurante da Faria Lima, onde havia almoçado com colegas de trabalho, e me deparei com a avenida em polvorosa.

O trânsito estava completamente parado, como se fosse a hora do rush, as buzinas soavam nervosas, os pedestres corriam de lá para cá. Perguntei ao manobrista do restaurante o que estava acontecendo. “O PCC está atacando São Paulo”, disse ele.

A facção respondia com uma ação de escala inédita à transferência de integrantes seus para presídios de segurança máxima, às vésperas do Dia das Mães.

Quase 20 anos depois, o PCC está na Faria Lima outra vez, mas dentro das suas torres, lavando bilhões de reais com fintechs. Tornou-se uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo, associada a máfias europeias no negócio das drogas, com tentáculos no transporte público de São Paulo, no mercado de combustíveis e, como não poderia deixar ser, no mercado financeiro, um segredo de Polichinelo até a operação policial de ontem.

A história de sucesso do PCC é a história do fracasso de um país. Assim como as facções adversárias, ele foi impulsionado pela ausência, pela incompetência e pela cumplicidade do Estado brasileiro, nas suas diferentes instâncias — cumplicidade ideológica, inclusive, porque a esquerda, que se mantém à frente do governo federal há quase duas décadas, com os breves interregnos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro, vê bandido como vítima da sociedade capitalista.

O resultado está aí: depois de dominar os presídios do país, as organizações criminosas expandiram-se incontrolavelmente.

A coisa chegou a tal ponto, que, de acordo com um estudo conduzido por quatro pesquisadores de universidades americanas, publicado recentemente pela inglesa Cambridge University Press, 26% dos brasileiros vivem sob o domínio das facções, o maior índice da América Latina. São 50,6 milhões de cidadãos obrigados a se submeter cotidianamente às ordens dos facínoras.

Entre todas as organizações criminosas brasileiras, o PCC, além de ser a maior, é a mais profissionalizada. Altamente hierarquizada, funciona como um relógio e é a que mais está infiltrada na política, seguindo o caminho das máfias italianas.

Como os bilhões de reais que o PCC movimenta variam de fonte para fonte, perguntei ao Grok, a IA da rede X, qual seria o valor de mercado da facção, se ela fosse uma empresa, a partir das diferentes estimativas publicadas pela imprensa. É um exercício fantasioso, evidentemente, mas que serve para dar a sua dimensão.

A resposta foi a seguinte:

Se o PCC fosse avaliado como uma empresa, o seu valor de mercado estimado, com base em seu faturamento anual e ativos, estaria na faixa de R$ 16 bilhões a R$ 24 bilhões, com um limite superior próximo aos R$ 30 bilhões, considerando o seu patrimônio.

Esse valor reflete a sua capacidade de gerar receitas significativas (principalmente via tráfico de drogas e lavagem de dinheiro) e sua infiltração em setores econômicos formais, como combustíveis e mercado financeiro.

Não existe questão mais urgente no Brasil do que as organizações criminosas. A operação de ontem deveria servir como o início do bom combate, não à exploração política. Fica a pergunta: será que o PT e as suas linhas auxiliares entenderam mesmo que o PCC e as demais fações são um problema?

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