Mario Sabino

O STF quis matar politicamente Bolsonaro, mas ele se recusa a morrer

Bolsonaro está mais vivo a cada dia, enquanto se avolumam as más notícias para os ministros cujo candidato está cada vez mais morto

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante encerramento do 1° Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal PL -- Metrópoles
1 de 1 Ex-presidente Jair Bolsonaro durante encerramento do 1° Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal PL -- Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O STF quis matar politicamente Jair Bolsonaro, a prisão quase o matou fisicamente, mas o homem se recusa a morrer.

Aí está ele em prisão domiciliar, que lhe foi proporcionada por Daniel Vorcaro, não por Alexandre Moraes, que a concedeu a evidente contragosto, basta ver a decisão cheia de resmungos e de medidas cautelares impostas ao ex-presidente, para não falar do humanitarismo chantagista com prazo de 90 dias.

Não estivesse acossado pelo escândalo do Banco Master, que revelou a sua perigosa proximidade com Vorcaro, o ministro não teria concordado em mandar Bolsonaro para casa, essa é a verdade.

Houve ainda a pressão interna no STF, que levou em conta que seria péssimo para Moraes e, por extensão, para o tribunal que Bolsonaro viesse a morrer em uma penitenciária. Já basta a morte de Clezão ter sido debitada na conta do STF. Não havia sentido em correr esse risco, em especial neste momento.

Com a prisão domiciliar cheia de condicionantes, Moraes e os seus compadres do STF acreditam que a pressão do lado bolsonarista em relação ao caso Master diminuirá (não que estivesse muito grande) por ordem de Flávio, o filho candidato, que só apôs o jamegão no pedido de CPI do Master depois de ultrapassado o mínimo de assinaturas necessárias. Foi para não dizer que ele não falou das flores, e Flávio já ajoelhou no altar do arrependimento, o que o rapaz nega de pés juntos, como se juramento de político valesse alguma coisa.

A primeira má notícia para os ministros é que a ida de Bolsonaro para a prisão domiciliar não importa para o andamento do caso Master. Há uma delação aparentemente séria a caminho, há a PF incontrolável, há a imprensa destemida, há cidadãos com sangue nos olhos, e há André Mendonça, o relator terrivelmente evangélico, que não dá mostras até o momento — Deus seja louvado! — de que irá arrefecer no seu propósito expresso a Edson Fachin de salvar o STF de quem jogou o tribunal na lama.

A segunda má notícia é que, com a prisão domiciliar concedida com tanta má vontade, Bolsonaro não perderá a imagem de vítima de perseguição judicial, promovida a partir de agora por ministros acusados de venalidade, implicados que estão com o protagonista da maior fraude financeira da história brasileira.

A terceira má notícia para os ministros é que, apesar de todas as condicionantes que limitam o seu cotidiano em casa, o ex-presidente estará mais livre para fazer articulações que visem a catapultar o filho Flávio ao Palácio do Planalto e a atingir a meta da direita dura de fazer mais de 30 senadores nas próximas eleições, o que permitirá levar adiante o impeachment de Moraes, mesmo que ele não seja alcançado criminalmente na delação de Vorcaro, junto com Dias Toffoli. Mesmo sem os Bolsonaros, a vingança bolsonarista será inevitável, e poderá contar com o apoio das ruas.

A quarta má notícia é que o candidato da maioria dos ministros do STF despenca a cada pesquisa de opinião.

Na última delas, divulgada hoje pela Atlas/Bloomberg, a aprovação de Lula caiu ainda mais, para 46%, enquanto a desaprovação subiu para 54%. Quanto ao governo do petista, a avaliação positiva é de apenas 41% e a negativa, de 50%.

Entre os eleitores evangélicos, fulos com a família conservadora desfilada em latas de conserva nas evoluções da escola de samba do Rio de Janeiro que homenageou o presidente da República, a desaprovação a Lula alcança 86%, praticamente a unanimidade.

Diante desse quadro, o chefão petista vai insistir na reeleição ou desistir dela? Ouvi de uma raposa da política brasileira que, se a desaprovação geral descer à casa dos 30%, Lula dará adeus ao sonho de um quarto mandato.

O STF quis matar politicamente Jair Bolsonaro, a prisão quase o matou fisicamente, mas o homem se recusa a morrer. Está mais vivo a cada dia. Quem parece cada vez mais morto é o candidato da maioria dos ministros do tribunal.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comMario Sabino

Você quer ficar por dentro da coluna Mario Sabino e receber notificações em tempo real?