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Mario Sabino

O STF cometerá suicídio institucional se não se depurar de Moraes

O STF precisa entender que Alexandre de Moraes não tem a menor condição moral de continuar ministro. O tribunal ficará mais forte sem ele

02/09/2026 13:51, atualizado 02/09/2026 13:56
Arte sobre fotos do Metrópoles
Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, em fotos justapostas -- Metrópoles

O STF cometerá suicídio institucional se não se livrar de Alexandre de Moraes. Ele não tem a menor condição moral de continuar ministro. Muito menos de ser o próximo presidente do tribunal e, portanto, chefe do Poder Judiciário.

Não há nada do que foi revelado até agora que não seja menos do que escandaloso sobre as relações entre o ministro e Daniel Vorcaro, o meliante que cometeu a maior fraude financeira da história do país.

Manter Alexandre de Moraes na cadeira de ministro e eximi-lo da urgente investigação sobre tudo o que foi descoberto pela PF até o momento será transformar o STF em valhacouto, e dele emanará o odor de uma putrefação moral que impregnará todas as instâncias da Justiça brasileira, estendendo-se às demais instituições com consequências previsíveis no desastre.

Alexandre de Moraes conta com os suspeitos de sempre para apoiá-lo, tanto dentro como fora do tribunal, inclusive na imprensa sabuja, e a estratégia deles é de uma previsibilidade enfadonha.

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Ela implica inculcar a falsa ideia de que André Mendonça foi além do seu papel e adentrou a ilegalidade, como já fez este indescritível Paulo Gonet; acusar o ministro de agir com objetivos eleitorais; tentar assassinar a sua reputação, e aqui entram os vingadores de Andrei Rodrigues; apelar para o conspiracionismo, como se o STF fosse vítima de forças terríveis que se levantaram contra o tribunal.

A estratégia converge para o objetivo audacioso de tirar a relatoria do caso Master de André Mendonça e de colocá-lo em mãos supostamente mais confiáveis, as de Edson Fachin, presidente do Supremo, cuja personalidade é subestimada pelos suspeitos de sempre, a ver se com razão ou não.

A sociedade, que está atenta a toda essas manobras desavergonhadas, que ninguém se engane, espera que a ala sã do STF não se deixe influenciar por quem se pauta somente pelas conveniências pessoais e pelo mais absoluto desprezo pela República.

É preferível que a solução venha do próprio tribunal, da sua ala sã, do que por controle externo, do Senado, onde se processam os processos de impeachment, embora tal controle permaneça muitíssimo válido como parte do nosso ordenamento jurídico.

A solução interna mostraria que o Supremo é uma instituição que sabe depurar-se de quem mancha a sua honra e fere a sua legitimidade. Uma instituição que sabe dar o bom exemplo.

Ao contrário do que apregoam os suspeitos de sempre, ao extirpar o mal pela raiz, o STF sairá mais forte dessa crise, mais respeitado e admirado. E, com isso, a democracia brasileira também se fortalecerá.