Mario Sabino

O pior dos Correios brasileiros é o Brasil, e governo Lula é agravante

Se o Brasil não fosse o Brasil, e o PT não fosse o PT, daria para fazer como a Itália, que transformou os seus Correios em exemplo mundial

atualizado

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Lula com boné -- Metrópoles
1 de 1 Lula com boné -- Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes sociais

Depois de acumular um prejuízo de mais de R$ 13 bilhões nos últimos três anos, os Correios precisam de R$ 20 bilhões para fechar as contas.

Você emprestaria dinheiro aos Correios? Não dinheiro dos outros, como querem os petistas. Dinheiro seu, ainda úmido de suor do seu rosto.

Não emprestaria, obviamente, a menos que você fosse um trouxa para cair na conversa de que, com os governantes tão iluminados quanto honestos que se sucedem em Brasília, dá para salvar um cabide de empregos apinhado de sindicalistas que odeiam o capitalismo e que só querem botar a mão peluda no fundo de previdência da empresa.

Há alguns meses, eu me vi obrigado a entrar em uma agência dos Correios. Voltei 40 anos no tempo. Foi mais que instrutivo, foi uma Gestalt. De todos os ângulos e sentidos, a ineficiência era, com todo o respeito, africana.

Ter os Correios nessa situação cronicamente desesperadora, competindo em um mundo que manda cada vez menos cartas e enfrentando a concorrência de gigantes do e-commerce, é como imaginar que um bicho-preguiça possa apostar corrida contra um guepardo.

Como não vão privatizar, tem jeito? Sim. Não é porque os Correios são uma empresa estatal, que não há saída. É porque a estatal é brasileira. Ou pior, é estatal petista. Qualquer solução racional, minimamente inteligente, em qualquer ramo da atividade humana, está fora do campo de visão de Lula e da companheirada.

Se o Brasil não fosse o Brasil, e o PT não fosse o PT, daria para fazer como a Itália. Os Correios italianos estavam entre os piores da Europa até o final da década de 1990, com um índice de atraso nas entregas que superava 8 dias, espelho da sua má administração e da sua mentalidade arcaica.

Basicamente, dos diretores aos carteiros dos Correios italianos, todos achavam que estavam fazendo imenso favor ao remetente ao entregar uma carta ou um pacote ao destinatário, em qualquer prazo, mesmo que ambos já estivessem mortos.

Roma, então, caiu em si de que aquilo era um ônus vergonhoso para um país civilizado e empreendeu uma série de reformas verdadeiramente transformadoras. Uma delas, entre muitas, foi demitir 22 mil funcionários, reduzindo o custo da folha de pagamento de 93% para menos de 80% da receita. Isso permitiu aumentar os investimentos em logística e tecnologia.

Devidamente saneada operacional e financeiramente, a empresa abriu o capital em 2015. O sucesso foi estrondoso: o IPO proporcionou a entrada de 3,4 bilhões de euros no Tesouro da Itália. O governo manteve, direta e indiretamente, 64% das ações sob seu controle, o que lhe propiciou manter a universalidade do serviço postal.

Os investidores estão satisfeitíssimos: apenas nos primeiros nove meses de 2025, a receita dos Correios italianos foi de 9,6 bilhões de euros, aumento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. E, mais importante, o crescimento do lucro líquido no período chegou a 1,8 bilhão de euros, impressionantes 11% a mais do que em 2024, um recorde.

Satisfeitíssimos estão também os 45 milhões de cidadãos que utilizam os serviços da empresa: hoje, ela está entre as melhores da Europa, com um índice maior de 90% de entregas pontuais, e exibe uma das marcas mais fortes do mundo, graças às suas eficiência, inovação e competitividade.

O pior dos Correios brasileiros é o Brasil, e o governo Lula é agravante.

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