Mario Sabino

O PCC executou o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes e o Estado foi cúmplice

Por que essa figura histórica no combate ao PCC, que a facção considerava o seu inimigo número 1, não tinha escolta permanente?

atualizado

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Prefeitura de Praia Grande/Divulgação
Ruy Ferraz Fontes, delegado da Polícia Civil de São Paulo - Metrópoles
1 de 1 Ruy Ferraz Fontes, delegado da Polícia Civil de São Paulo - Metrópoles - Foto: Prefeitura de Praia Grande/Divulgação

A execução de Ruy Ferraz Fontes pelo PCC é uma tragédia e uma vergonha.

Tragédia pessoal e familiar e vergonha nacional. É demonstração, mais uma, de que o país está entregue ao crime organizado e à incompetência do Estado, para sermos otimistas, no seu enfrentamento.

O ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes era muito mais do que um retrato na parede. Foi ele quem mapeou o PCC quando a facção surgiu nos presídios paulistas. Revelou como essa máfia se organizava e qual era o seu alcance.

Ruy Ferraz Fontes também comandou as investigações que resultaram nas maiores condenações do chefão do PCC, o onipresente Marcola, além de ser o responsável por transferir ele e outras lideranças da facção para presídios federais em outros estados.

Por que essa figura histórica no combate ao PCC,  que a facção considerava o seu inimigo número 1 e que estava jurado de morte por Marcola, não tinha escolta permanente?

É assim que se recompensa um cidadão que serviu à sociedade com lealdade e desassombro, enfrentando facínoras aos quais é custoso dar contornos minimamente humanos?

Três semanas antes de morrer, Ruy Ferraz Fontes disse a O Globo que estava “sozinho”, sem proteção, em Praia Grande, território dominado pelo PCC.

“Eu tenho proteção de quem? Eu moro sozinho, eu vivo sozinho na Praia Grande, que é no meio deles. Pra mim, é muito difícil. Se eu fosse um policial da ativa, eu tava pouco me importando, teria estrutura para me defender, hoje não tenho estrutura nenhuma”, afirmou o ex-delegado ao jornal.

Jurado de morte, sem proteção, restava-lhe nutrir o pensamento mágico de que o PCC o deixaria em paz:

“Teve uma conversa só meio atrapalhada com o Marcola, mas nunca teve um desenrolar negativo. No mundo do crime, existe uma ética. E essa ética é cobrada, de uma forma geral. Em que momento nós instruímos um inquérito policial e inventamos alguma prova contra eles? Nunca. Se tinha provas, a gente relacionava e depois ia depor em juízo. A gente não inventou provas. Se ele é criminoso e pratica crime, eu sou da polícia e investigo. Então não gera um descompasso pessoal em relação a quem investiga.”

O PCC executou Ruy Ferraz Fontes e o Estado foi cúmplice no assassinato.

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