Mario Sabino

O banqueiro nunca pagou a ninguém para defendê-lo, só a advogados

Há iniciativas gratuitas em Brasília? No bom sentido, digo? É claro que sim. Veja-se o exemplo das tentativas de ajudar o banqueiro Vorcaro

atualizado

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Jonathan de Jesus, do TCU -- Metrópoles
1 de 1 Jonathan de Jesus, do TCU -- Metrópoles - Foto: TCU

Há iniciativas gratuitas em Brasília? No bom sentido, digo? Mas é claro que sim, ora bolas. Veja-se o exemplo das tentativas de reverter a liquidação do Banco Master ou de, ao menos, proporcionar ao banqueiro Daniel Vorcaro uma saída honrosa na pessoa física. Honrosa na visão dele, sublinhe-se.

Está certo que não parece tão gratuito o fato da mulher advogada de um ministro do Supremo ter firmado um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e realizado trabalho quase nenhum. Mas foi inteiramente gratuita, no bom sentido, a disposição desse ministro em pressionar o Banco Central para evitar a liquidação. Aliás, não houve pressões, isso é coisa de jornalista.

Outro ministro do Supremo ter arrogado para si a ação que investiga o Banco Master e decretado sigilo sobre tudo no mesmo dia em que viajou a Lima ao lado do advogado de um executivo do banco? Gratuidade na melhor acepção, de quem só procura homens honestos, como o filósofo Dióneges.

E credite-se também à graciosidade bem-intencionada que o ministro em questão tenha tentado emparedar o Banco Central com uma acareação bastante criativa, abortada no último momento por causa do barulho de quem insiste em se voltar contra as verdades da vida. Mas eles vão ver só.

Já estão vendo, e é no TCU. O tribunal empenha-se em apagar o momento excepcional da descoberta das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff, lá se vão dez anos, para colocar tudo de volta no lugar habitual, de onde ninguém nunca deveria ter saído.

O ministro Jhonatan de Jesus, que tem o “h” que falta ao seu colega de TCU, o imbatível Aroldo Cedraz, é o encarregado nessa frente de restabelecer a justiça, custe o que custar.

É comovente o seu esforço em ajudar o honesto Banco Master a sair da lama em que foi colocado pelo desonesto ou, no mínimo, apressado Banco Central, que viu fraude onde só havia boas intenções.

A credencial de Jhonatan de Jesus para questionar e inspecionar a autoridade monetária é ser oriundo do Centrão, que só pensa no progresso do Brasil, como pontuam os seus integrantes.

Há iniciativas gratuitas em Brasília? No bom sentido, digo? Naturalmente que sim. Daniel Vorcaro, do Banco Master, nunca pagou a ninguém para defender os seus interesses, só a advogados.

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