Mario Sabino

Messias e a falta de qualquer coisa de Lula, Alcolumbre e STF

A indicação de Jorge Messias para o STF e tudo que a cerca deixam ainda mais ululante a falta de qualquer coisa na vida nacional

atualizado

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A indicação de Jorge Messias para ser ministro do STF e tudo que a cerca deixam ainda mais ululante a falta de qualquer coisa (noção, consciência, vergonha, modos) na vida nacional.

Em primeiro lugar, vem a escolha de Lula. O presidente da República não foi original ao escolher um homem da sua confiança, mas nunca a conveniência pessoal ficou tão explícita. Mais até do que quando ele indicou o seu próprio advogado.

Como se fosse a coisa mais natural do mundo, a imprensa nativa noticiou que Lula não quis correr “riscos” ao indicar Messias. Ou seja, ter alguém no STF que possa contrariar de algum modo os seus interesses.

Fomos lembrados mais uma vez de que Lula se decepcionou muito com os ministros que, indicados anteriormente por ele e pela companheira Dilma, votaram pela sua prisão no âmbito da Lava Jato, sem imaginar que tinham uma dívida de gratidão com o chefão petista e o seu partido.

Messias indicado, temos a segunda falta de qualquer coisa. Descontente por não ter conseguido emplacar o nome do amigão Rodrigo Pacheco para o Supremo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu retaliar Lula com uma “pauta-bomba”. A bomba é explodir de vez as contas de um governo já perdulário, como se o Legislativo não tivesse nada a ver com isso. Como se o país não tivesse.

Alcolumbre também trabalha ativamente para que Messias não tenha o nome aprovado pelo Senado e, para tanto, marcou a sabatina do sujeito para 10 de dezembro, dando pouquíssimo tempo para que o indicado tente convencer uma maioria de senadores a chancelar o seu nome.

A chicana institucional continua com Lula pensando em adiar a sabatina, sob o argumento de que ela não pode ser marcada enquanto o Palácio do Planalto não enviar ao Senado o papelzinho da comunicação oficial da indicação de Messias.

O preço da indicação de Messias, todos sabemos, só vai ficando mais alto para os pagadores de impostos.

Por fim, temos a terceira falta de qualquer coisa, da parte de ministros do STF. Eles agora acham que podem fazer campanha por este ou aquele nome, como se o tribunal fosse uma loja de maçonaria.

Na Suprema Maçonaria, Rodrigo Pacheco parece ter perdido força como “nosso candidato” (a expressão é do decano, que compartilhava a preferência com Alexandre de Moraes). Já o nome de Jorge Messias foi abraçado entusiasticamente por André Mendonça (ambos são evangélicos) e por Nunes Marques.

Os dois ministros indicados por Jair Bolsonaro fazem um corpo a corpo junto a senadores em prol do indicado por Lula, enquanto senadores bolsonaristas estimulam Alcolumbre a impor uma derrota histórica ao indicado petista. É curiosa falta de qualquer coisa.

Em meio à campanha, o ministro Mendonça foi sorteado para ser o relator da ação contra Messias, atual advogado-geral da União, por prevaricação no caso da fraude do INSS. Felizmente, a suspeição foi abolida no STF.

Termino estas mal-traçadas com o trecho de um poeminha de Gregório de Matos, que vem bem a propósito de momento tão pouco singular na sua singularidade:

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?… Negócio.
Quem causa tal perdição?… Ambição.
E no meio desta loucura?… Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

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