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Mario Sabino

Flávio, o mau candidato, em empate técnico com Lula, o mau presidente

Em relação à pesquisa BTG/Nexus anterior, feita no mês passado, a diferença entre Flávio e Lula caiu de seis para três pontos percentuais

29/06/2026 10:03, atualizado 29/06/2026 10:08
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Reprodução
Flávio Bolsonaro pediu para TCU investigar as contas do governo Lula -- Metrópoles

Ora, veja só: de acordo com a última pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje, Lula, o mau presidente, e Flávio Bolsonaro, o mau candidato, voltaram ao cenário de empate técnico nas intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial, dentro da margem de erro: 47% a 44%.

Em relação à pesquisa anterior, feita no mês passado, quando a diferença entre ambos era o dobro, de seis pontos percentuais, Lula perdeu dois e Flávio ganhou um.

Quanto à rejeição, o chefão petista foi de 47% para 49%, e o rebento bolsonarista de 52% para 51%. A rejeição a Flávio parou de aumentar pela primeira vez desde a eclosão do caso Dark Horse.

Como os pesquisadores foram a campo depois da operação policial contra Jaques Wagner, no âmbito do caso Master, e da difusão dos vídeos nos quais Michelle Bolsonaro acusa Flávio Bolsonaro de tê-la apunhalado, humilhado e maltratado, pode-se concluir que, no balanço dos respectivos abalroamentos, Lula sofreu mais desgaste do que o filho de Jair.

No plano geral, a verdade continua imutável: fosse um bom presidente, Lula lideraria as pesquisas com certa folga; fosse um bom candidato de oposição, Flávio teria a atual porcentagem de intenção de votos do seu adversário ou até pouco mais.

O que não lhes é base cativa de eleitores, aquela massa de cretinos doutrinados que oscila entre 25% e 30% para cada um, situa-se no campo do puro antibolsonarismo ou no do puro antipetismo.

Entre os antibolsonaristas e os antipetistas puros, há os que nutrem o que se pode chamar de aversão atávica ao que seria o seu contrário, o que lhes faz tapar o nariz e votar em Lula ou em um Bolsonaro independentemente da falta de qualidades do candidato, e os que apresentam volubilidade na rejeição: votam contra um ou outro segundo as circunstâncias. Ou melhor, a depender dos escândalos mais recentes. É algo aí em torno de 5% a 7% do eleitorado.

Há quem chame os volúveis do antieste ou antiaquele de independentes, e é esse contigente que causa as variações nas pesquisas e que, em outubro, definirá o resultado das urnas.

Muito pouco disso tem a ver com ideias de país, mas fica cada vez mais evidente que o país é o que menos importa nas eleições brasileiras, acontecimentos que ocorrem de quatro em quatro anos desprovidos de massa cinzenta e cheios de emoção.