Jaques Wagner e o magnífico par de pernas
Jaques Wagner. Não sei se já contei essa história aqui, mas a vantagem de ter histórias esquecíveis é que você pode repeti-las

Jaques Wagner. Não sei se já contei essa história aqui, mas a vantagem de ter histórias esquecíveis é que você pode repeti-las.
Foi em 2007. Lula havia sido reeleito, e era recomendável, para fins jornalísticos, restabelecer uma ponte com o PT, partido que havia entrado na mira da revista Veja, da qual eu era o redator-chefe, por causa do escândalo do mensalão.
O melhor caminho era procurar Jaques Wagner, recém-eleito governador da Bahia, petista que sempre teve maior latitude ideológica e que não guardava rancores na geladeira.
Um dos editores da revista pediu, então, a Geddel Vieira Lima que tentasse marcar um encontro nosso com Jaques Wagner.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNaquele momento, ninguém sabia que Geddel Vieira Lima mantinha um apartamento em Salvador apenas para guardar a sua valiosa coleção de dinheiro em espécie.
Logo chegou a confirmação de que Jaques Wagner nos receberia para almoçar no seu gabinete — e lá fomos, eu e o editor, fazer um bate e volta na Bahia.
Geddel Vieira Lima nos esperava na entrada do prédio. Trocado o dedo de prosa de praxe, subimos para o andar de Jaques Wagner, onde a sua secretária nos disse que deveríamos esperar um pouco, porque o governador estava reunido com Norberto Odebrecht.
Passaram-se dez, vinte, trinta, quase quarenta minutos, e eu já havia refletido sobre a grafia peculiar do nome de Jaques Wagner de todos os ângulos possíveis.
Na minha impaciência de paulista, eu antecipava que perderíamos o avião de volta a São Paulo e estava para ligar para a redação para pedir que reservassem um hotel em Salvador quando o telefone da secretária tocou.
Ela falou em voz baixa com a pessoa do outro lado da linha e, desligado o telefone, anunciou que o governador nos receberia dali a cinco minutos.
Em menos tempo do que isso, uma porta lateral, até aquele momento invisível para nós, abriu-se, e um magnífico par de pernas femininas, bastante à mostra em uma minissaia, saiu do gabinete do governador. O par de pernas deu um tchauzinho cúmplice para a secretária.
Na sequência, Jaques Wagner, cabelo molhado e todo sorridente, assomou à porta principal para convidar que entrássemos na sua sala.
Se Norberto Odebrecht estava lá antes de entrarmos, deve ter pulado de paraquedas da sacada que se abria para a capital baiana.




