Mario Sabino

Esta será a última eleição de Lula; resta abreviar a nossa agonia em 4 anos

Esta será a última eleição na qual os brasileiros decidirão se votam a favor ou contra Lula. Há quase 40 anos tem sido assim

atualizado

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Imagem colorida mostra Lula com chapéu, em evento em homenagem ao ex-presidente uruguaio Jose Mujica -- Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra Lula com chapéu, em evento em homenagem ao ex-presidente uruguaio Jose Mujica -- Metrópoles - Foto: Reprodução/CanalGov

Esta será a última eleição presidencial na qual os brasileiros terão de decidir se votam a favor ou contra Lula.

Há quase 40 anos tem sido assim, inclusive quando os candidatos foram Dilma Rousseff e Fernando Haddad, a primeira preposta do chefão petista, embora com ambições próprias, e o segundo, mero poste, sem outra pretensão a não ser a da vassalagem.

A escolha, assim, será a de prolongar ou não a agonia em mais quatro anos. Com Lula na Presidência da República, o Brasil perdeu a chance de dar um salto econômico e social que o colocaria no pelotão das nações mais avançadas. Confirmou-se, assim, a máxima segundo a qual o Brasil nunca perdeu a oportunidade de perder oportunidades.

É importante que se repita: todo o progresso obtido nas últimas décadas não foi graças a Lula e ao PT, mas apesar do fardo que os seus governos perdulários, incompetentes, eleitoreiros e corruptos impuseram ao país.

Nem mesmo quando o Brasil surfou no boom das commodities, nos dois primeiros mandatos do chefão petista, aproveitou-se o momento para investir naquilo que faz um país realmente grande: infraestrutura, educação, saúde, produtividade.

Terminamos o primeiro quarto do século XXI com metade da população sem esgoto, com estudantes nas piores colocações nas provas internacionais de desempenho, com um sistema de saúde universal que é extremamente desigual e com trabalhadores cuja ineficiência é produto da sua baixa qualificação, do pouco investimento em tecnologia e inovação, do excesso de burocracia e do protecionismo.

Alguns dirão que a culpa não é exclusiva de Lula e do PT, que estamos falando de vícios e problemas herdados de uma sociedade com origem escravocrata, oligárquica e patrimonialista, que ainda resiste como tal.

Sim, mas a falta de exclusividade não os redime de ser protagonistas de uma esperança de modernidade continuamente frustrada enquanto estiveram no poder. Temos uma esquerda que é cúmplice na exploração da pobreza, na manutenção dos privilégios e na captura do Estado por interesses particulares.

Com Lula na Presidência da República, a sociedade produtiva vive em estado de permanente alerta. Ele e o seu partido acreditam que gasto é vida, que o céu é o limite para o teto de gastos do governo, que inflação é efeito colateral inevitável, que inchar a máquina pública é combater a injustiça social — e que escorchar empresários e classe média com impostos significa redistribuição de riqueza.

Para Lula e o PT não existe vida fora do Estado, é dele que tudo emana, e é a ele que tudo deve render frutos. A receita petista para o século XXI nasceu no século XIX e fracassou retumbantemente no século XX.

Como Lula não deixará herdeiros à sua altura, resta aos eleitores abreviar essa agonia em quatro anos. Não sou entusiasta de nenhuma candidatura de oposição, mas qualquer um que for eleito em lugar do chefão petista será menos danoso ao Brasil, e tem sido assim desde 1989.

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