
Mario SabinoColunas

Delcy Rodríguez, fantoche de Trump, banca a durona. Não é sério
Ontem, em discurso a trabalhadores do setor petrolífero, Delcy disse estar farta da intromissão americana na Venezuela. Sei
atualizado
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Delcy Rodríguez, a reserva do ditador Nicolás Maduro, resolveu bancar a durona.
Ontem, em discurso a trabalhadores do setor petrolífero, ela disse estar farta da intromissão americana na Venezuela.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, afirmou Delcy Rodríguez.
É para levar a sério? Não.
Quando Delcy surgiu para o mundo, depois da captura de Maduro, eu achava erroneamente que ela era fantoche do regime. Cheguei a dizer isso no programa Contexto, do Metrópoles, no Youtube.
Ela nunca foi fantoche do regime, tinha força própria na ditadura bolivariana, ao lado do seu irmão, Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. Era a responsável pela, digamos, política econômica do país e considerada uma “pragmática”.
A reserva do ditador Nicolás Maduro tornou-se, porém, fantoche de Donald Trump. Cumpre com diligência as ordens do mestre gringo, inclusive pelo lado bom, como ao mandar soltar centenas de presos políticos — aqueles que eram só “narrativa”, de acordo com Lula.
O presidente americano já disse que Delcy é “incrível”, e ela foi convidada por Trump para visitar Washington.
Delcy não tem opção, mas a reserva de Maduro talvez já esteja gostando da falta de escolha. Pode ser que Trump se convença de que a manutenção de uma ditabranda na Venezuela, sob a batuta da Delcy, seja o mais adequado para os interesses petrolíferos e geopolíticos dos Estados Unidos do que o restabelecimento da democracia.
Também pode ser que o presidente conclua que democracia boa é democracia com Delcy como presidente eleita, não María Corina Machado, que talvez já tenha dado tudo o que lhe era possível dar, a medalha do Nobel da Paz.
Seja como for, Delcy já faz o seu papel ao dizer que “chega de ordens de Washington”.
É que não dá para abandonar a retórica anti-imperialista do dia para a noite, boss, porque aí vai parecer mesmo que se bateu em retirada, e ainda há um público a afagar na Venezuela, de bolivarianos ou não, muito pelo contrário, todos ciosos de soberania, mesmo que por motivos ideológicos diferentes. Enfim, boss, “hay que ablandarse pero sin perder una cierta dureza jamás”