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Mario Sabino

Bolsonaro não morreu, apesar do STF, da imprensa e dos filhos

Não sou eu a constatar que Jair Bolsonaro continua vivo politicamente, é a pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje

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Bolsonaro na saída do hospital DF Star no domingo (14/9) -- Metrópoles
1 de 1 Bolsonaro na saída do hospital DF Star no domingo (14/9) -- Metrópoles - Foto: <p>HUGO BARRETO/METRÓPOLES<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div> </p>

Jair Bolsonaro não morreu politicamente, apesar de todas as tentativas de matá-lo para a vida pública, de todos os obituários apressados da imprensa e das trapalhadas dos seus filhos. Acho que já escrevi isso, mas o Brasil é um país redundante também na sua negação da realidade.

Não sou eu a constatar que Jair Bolsonaro continua vivo, é a pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje.

Lula permanece à frente em todos os cenários eleitorais apresentados pela pesquisa, mas não com tanto conforto.

No cenário que não existe por obra do STF, o do presidente da República contra Jair Bolsonaro, a diferença no segundo turno caiu de dez para três pontos percentuais em um mês (42 a 39), praticamente dentro da margem de erro, que é de dois pontos. Empate técnico.

Entre os cenários que existem, a distância do presidente da República para Tarcísio de Freitas, ainda visto como candidato bolsonarista, encurtou de 12 para 5 pontos no segundo turno (41 a 36).

Lula estava de salto alto, achando que já não tinha mais para ninguém, e que bastava seguir com o barco afundando em velocidade de cruzeiro para ele continuar ao leme. Mas aí veio a megaoperação policial no Rio de Janeiro.

Ele e os petistas receberam um tapa da vida real: o apoio maciço dos cidadãos às forças policiais que enfrentaram os bandidos do Comando Vermelho no favelão carioca. As forças policiais vilanizadas pelo presidente da República e pelo seu partido.

Não poderia ser diferente: a segurança pública, desprezada tradicionalmente pela esquerda, é a principal preocupação dos brasileiros, muito mais do que a economia. E, para a maioria dos cidadãos, bandido bom é bandido preso ou, se resistir, morto. Pensam como Jair Bolsonaro, não gostaram de saber que Lula acha que traficantes são vítimas de usuários (não foi gafe).

O centro do quadro atual é esse, mas não se deve desprezar a moldura, e o ex-presidente prestes a se tornar presidiário é um dos lados dela.

O STF e a imprensa podem pintar Jair Bolsonaro como o diabo na Terra, que uma expressiva parte dos eleitores não mudará da opinião de que ele é um perseguido político (não conte para ninguém, mas o homem é mesmo perseguido, e se dar conta disso não significa necessariamente isentá-lo das suas muitas culpas).

A perseguição a Jair Bolsonaro acirra o antipetismo em relação a tudo isso que está aí, visto que o ex-presidente encarna o avesso do PT, embora não devesse ser assim.

Temos ainda como parte da moldura o fato de que ninguém acredita realmente que a economia e todo o resto vão bem. Sempre de acordo com as pesquisas, boa parte dos cidadãos acha que estamos no caminho errado, e não dá para eximir Lula e o PT dessa roubada (sem trocadilho, só um pouco, vá lá), uma vez que o chefão e o seu partido estão no poder desde o início do século, à exceção do intervalo bolsonarista.

Por último, há o cansaço de um país jovem com a figura de Lula. A sua visão de mundo é velha, o seu discurso é velho, as suas piadas são velhas, o seu populismo é velho.

Estou dizendo que Lula morreu politicamente? Não, infelizmente. Estou apenas afirmando que a eleição presidencial em 2026 não será uma barbada para o petista, porque Jair Bolsonaro também não morreu e o antipetismo continua bem vivo. Et pour cause.

Eu diria que a maior chance de Lula não é ele fazer algo certo, mas a oposição fazer tudo errado. Ninguém deve subestimar a estupidez da oposição brasileira.

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