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Mario Sabino

As desculpas de Tarcísio a Moraes: bolsonaristas jogaram a toalha?

Estaria Tarcísio de Freitas apostando que a base bolsonarista já não é tão bolsonarista assim para julgá-lo um traidor?

atualizado

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Igo Estrela/ Metrópoles
Imagem colorida mostra dois homens brancos vestidos de terno e gravada, conversando sorridentes. Eles são Tarcísio de Freitas e Alexandre de Moraes - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra dois homens brancos vestidos de terno e gravada, conversando sorridentes. Eles são Tarcísio de Freitas e Alexandre de Moraes - Metrópoles - Foto: Igo Estrela/ Metrópoles

O Brasil é um tédio. Somos muito previsíveis, embora nos achemos muito surpreendentes e gostemos de dizer que o país não é para amadores e coisa e tal. Estou falando de Tarcísio de Freitas.

Um dia depois de ele dizer na avenida Paulista, com aquela indignação de comício, que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Alexandre de Moraes”, escrevi que a cena embutia cálculo e que ninguém no STF deveria ficar muito bravo, porque Tarcísio estava jogando para a plateia bolsonarista (não foi exatamente com essas palavras).

Dois meses depois, e voilà:  temos o governador de São Paulo se reaproximando do Supremo para pedir perdão, pequei.

Como noticiou na semana passada o colega de site Igor Gadelha, Tarcísio almoçou, em Brasília, com Gilmar Mendes — um dos ministros que externaram a sua braveza com a fala do governador.

Ontem, a jornalista Bela Megale trouxe a informação de que Tarcísio desculpou-se diretamente com Alexandre de Moraes, embora não tenha tornado a coisa pública.

Disse a jornalista:

“Em conversas sobre sua manifestação, Tarcísio disse a interlocutores que não fez uma crítica ao ministro de forma premeditada, mas deixou claro que se sentia pressionado pela base bolsonarista, que cobrava uma posição mais enfática contra o STF às vésperas do julgamento que condenaria Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.”

De acordo com a jornalista, o governador também afirmou, imagina-se que aos mesmos  interlocutores (adoro essa fórmula jornalística para preservar fontes), que estava “ciente dos riscos de se indispor com a corte, mas calculou que conseguiria reconstruir as pontes com os ministros com mais facilidade do que se recompor com o bolsonarismo”.

Bom, se tudo é verdade, então tudo foi mentira da parte de Tarcísio. Mentira é forte? Está bem: tudo foi teatro, então.

Já que era óbvio que o pedido de desculpas a Alexandre de Moraes viria a público, estaria o governador apostando que, com a prisão inevitável de Jair Bolsonaro, a base bolsonarista já não seria mais tão bolsonarista assim para julgá-lo um traidor? A base jogou a toalha?

A outra pergunta, que decorre naturalmente da primeira, é se Tarcísio desistiu de empenhar-se em favor da anistia ampla, no seu projeto de se mostrar um homem da direita moderada ou da “direita permitida”, para usar a expressão dos seus detratores.

Para mim, tanto faz: os brasileiros que se entendam ou se desentendam da forma que quiserem. O que deixo registrado é que temos mais um político com convicção que muda conforme a direção do vento e que, portanto, não pode ser considerada como tal, seja na sua benignidade ou na sua malignidade.

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