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“Guerra” da segurança pública devolve Tarcísio à corrida presidencial

Aliados avaliam que Tarcísio voltou a se colocar na disputa após tema da segurança, sensível a Lula, virar centro do debate político

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Danilo M. Yoshioka/Metrópoles
Imagem colorida mostra Tarcísio de Freitas na Avenida Paulista - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra Tarcísio de Freitas na Avenida Paulista - Metrópoles - Foto: Danilo M. Yoshioka/Metrópoles

Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avaliam que a disputa política em torno do tema de segurança pública, desencadeada após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, recolocou o governador de São Paulo na corrida para se candidatar à Presidência da República em 2026.

De acordo com políticos do entorno de Tarcísio, o principal fator que gerou um recuo nas pretensões presidenciais do governador era a recuperação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a maré de boas notícias que vivia o petista.

Nos últimos meses, Lula conseguiu se aproximar do presidente norte-americano Donald Trump para negociar o tarifaço, viu o projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro perder tração e conseguiu aprovar no Congresso a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o que será uma bandeira na campanha de reeleição de Lula.

No entanto, desde a megaoperação policial realizada contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, na semana passada, o tema da segurança pública gerou uma agenda negativa para o governo Lula, segundo aliados de Tarcísio, algo que não acontecia há tempos.

Críticas a Lula

O tema é visto como o “calcanhar de aquiles” da esquerda e do PT. Além disso, opositores de Lula resgataram uma fala recente em que o petista classifica os traficantes como “vítimas” dos usuários de drogas.

Em que pese a alta aprovação popular demonstrada em pesquisas de opinião, a operação no Rio foi alvo de críticas de Lula, que chamou a ação de “matança” e defendeu que a Polícia Federal investigue os métodos usados pela polícia fluminense, o que também desencadeou críticas da oposição.

A operação deixou ao menos 121 mortos, sendo quatro polícias, a mais letal da história do país. De acordo com o governo do Rio de Janeiro, 95% das vítimas teriam ligação com o Comando Vermelho. Por outro lado, a principal liderança da facção em liberdade, Edgard Alves de Andrade, o Doca, não foi encontrado durante a operação.

“A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança e houve uma matança. Eu acho que é importante a gente ver em que condições ela se deu”, afirmou Lula na última terça-feira (4/11).

Nos dias seguintes à operação, governadores de direita passaram a classificar a ação como um sucesso e saíram em apoio ao governador do Rio, Cláudio Castro (PL). Dois dias depois da incursão policial nos complexos do Alemão e da Penha, os governadores de oposição a Lula formaram uma coalizão chamada de “consórcio da paz”, em reunião realizada na capital do estado vizinho, na qual Tarcísio participou por videochamada.


No encontro, Tarcísio afirmou que “não agir seria covardia” e que a operação teria tido o cuidado de afastar os criminosos da região onde as pessoas moram. Durante a fala, publicada em seu perfil oficial nas redes sociais, o governador citou exemplos do que definiu como avanços na segurança pública de São Paulo, como o enfrentamento da Cracolândia e do crime organizado no setor de transportes e combustíveis.

“Isso é terrorismo”

Paralelamente, o governador paulista também passou a defender que grupos como o PCC e o Comando Vermelho passem a ser classificados como terroristas. A reclassificação é tema de um projeto de lei que passou a ser endossado por bolsonaristas em resposta ao episódio da segurança no Rio.

“Não dá para a gente aceitar organizações que fazem barricada, que impõem terror territorial, que a partir daquele local, qualquer venda, qualquer compra tem que ser com autorização do criminoso ou mediante o criminoso, isso é impor terror à população, isso é terrorismo”, afirmou o governador no início da semana.

“O que se quer são penas mais pesadas, dificultar o acesso a determinados benefícios para que essas pessoas paguem pelos crimes que cometem. A gente precisa aumentar o custo para o criminoso. Não pode sair barato”, acrescentou.

Trampolim para Derrite

Além de apoiar a iniciativa em declarações públicas, o governador de São Paulo liberou seu secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), para que ele retome seu mandato como deputado federal e seja o relator do projeto.

Na última terça-feira (4/11), Tarcísio pressionou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que é seu colega de partido, a indicar Derrite para relatar o texto.

“A gente tem o PL [projeto de lei] do Danilo Fortes [deputado federal do União-CE], que deve ser relatado pelo Derrite. O Derrite deve ser liberado para tomar conta desse projeto lá. Isso foi combinado com o próprio presidente da Câmara. A ideia é que a gente possa apensar um projeto no outro [anti-facção do governo federal] e a partir dali fazer um melhor texto, um texto que nos dê a segurança para o que a gente quer”, disse Tarcísio durante agenda em Guarulhos.

O texto atualmente é relatado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas haveria um acordo entre os parlamentares de centro-direita para Derrite ser o relator da proposta quando a proposta for a plenário.

Desde o fim do primeiro semestre, o Progressistas tem articulado para que Derrite seja mais atuante em pautas de segurança no Congresso Nacional. As conversas com Motta ocorrem, ao menos, desde junho. A ideia é que a relatoria do projeto sirva como vitrine para o secretário disputar as eleições em 2026.

Diante desse destaque, Derrite voltou a ser apontado por aliados como o possível candidato de Tarcísio ao governo de São Paulo, caso o governador decida concorrer ao Palácio do Planalto.

“Não confundir conceitos”

Para ministros de Lula, o enquadramento das facções criminosas como grupos terroristas abrem brecha para “intervenções internacionais”, em especial nos Estados Unidos.

Já no ano passado, Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, disse que facções e grupos terroristas são coisas diferentes e que não pretendia “confundir conceitos”.

Em resposta, o governo Lula e o PT têm apostado em dois projetos distintos voltados ao tema, como a PEC da Segurança, que prevê maior participação do governo federal nas estratégias de combate ao crime organizado, algo que contraria a vontade dos governadores de direita e da oposição.

Outro projeto do governo é o chamado PL Antifacção. Elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, a proposta busca dar ao Estado mais poder para enfrentar o crime organizado, em especial as facções que controlam territórios e impõem regras própria nesses locais.

“O Brasil não pode mais aceitar a existência de Estados paralelos dentro do país”, afirmou o presidente Lula, ao anunciar o envio do projeto. Segundo ele, o texto representa um marco no enfrentamento ao crime organizado e uma resposta do Estado à violência que atinge as periferias. Elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, a proposta busca dar ao Estado mais poder para enfrentar o crime organizado, em especial as facções que controlam territórios, impõem regras próprias e desafiam o poder público em diversas regiões do país.

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